Em um ambiente marcado pelo fluxo contínuo de informações digitais e pelo consumo acelerado de conteúdos em telas, a mídia impressa mantém relevância e prestígio. Tendências recentes do setor editorial indicam que o papel deixou de ser visto como formato ultrapassado e passou a representar curadoria, foco e experiência de leitura diferenciada.
O valor do papel em contraste com o digital
A consolidação do digital como meio dominante de acesso à informação trouxe também efeitos associados à dispersão e à superficialidade do consumo. Nesse cenário, o impresso passou a ser percebido como alternativa de leitura concentrada e deliberada. Publicações internacionais como a Capricho e a Vanity Fair têm investido em edições físicas com apelo colecionável, reforçando a ideia de que o papel agrega valor simbólico e cultural.
A posse de uma revista ou publicação impressa passou a indicar seleção criteriosa de conteúdo, em contraste com a abundância de informações gratuitas e efêmeras no ambiente digital. O papel, nesse contexto, é associado à permanência e à autoridade editorial.
Indicadores do mercado editorial brasileiro
Dados recentes do setor apontam que 92% do mercado editorial brasileiro ainda é dominado pelo formato físico. Além disso, 64% dos leitores afirmam preferir a leitura em papel, índice que apresenta crescimento em relação a anos anteriores. O impresso, além de veículo informativo, passou a ser reconhecido como experiência sensorial, envolvendo textura, cheiro da tinta e contato físico com o material.
Esses fatores contribuem para uma relação diferente do leitor com o conteúdo, favorecendo a atenção plena e a retenção da informação.
A análise do publicitário Hugo Rodrigues
Para o publicitário e estrategista Hugo Rodrigues, a valorização do impresso está relacionada a uma mudança comportamental. Segundo ele, o papel oferece uma pausa que os algoritmos das plataformas digitais não conseguem reproduzir. A leitura em meio físico permite conexão direta e menos dispersa com o conteúdo.
Na avaliação do especialista, o futuro da comunicação envolve a capacidade de impactar o público sem interrupções agressivas. O impresso, nesse sentido, funciona como elemento de ancoragem no presente, favorecendo a concentração.
Relação com bem-estar e saúde mental
A valorização das mídias físicas também dialoga com discussões contemporâneas sobre saúde mental e excesso de estímulos digitais. A psicóloga Cintia Mara Cardoso tem destacado, em palestras recentes, a importância de práticas que promovam a presença no momento atual. A leitura em papel, ao exigir desconexão das telas e foco no conteúdo, apresenta-se como exercício prático de bem-estar.
A experiência tátil proporcionada pelo impresso, somada à exclusividade de determinadas edições, contribui para um consumo mais consciente e menos acelerado. Em um contexto de hiperconectividade, o papel demonstra que a busca por atenção qualificada pode estar associada a formatos físicos que estimulam a leitura atenta e deliberada.

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