As Pirâmides de Gizé, no Egito, permanecem entre os monumentos mais estudados da história antiga. Construídas há cerca de 4.500 anos, na região onde hoje está a cidade do Cairo, elas foram erguidas durante o Antigo Império e tinham como finalidade servir de túmulos monumentais para faraós egípcios.
Os governantes do Egito Antigo acreditavam na continuidade da existência após a morte. Por isso, mandavam construir templos, câmaras funerárias e estruturas destinadas a preservar seus corpos e garantir os elementos considerados necessários para a vida após a morte. As pirâmides faziam parte de complexos maiores, que também incluíam templos, calçadas cerimoniais, palácios, poços para barcos solares e outras edificações.
A primeira grande pirâmide de Gizé foi encomendada pelo faraó Khufu, também conhecido como Quéops, por volta de 2550 a.C. A Grande Pirâmide tinha originalmente cerca de 147 metros de altura, embora atualmente seja menor devido à perda das pedras de revestimento. Estima-se que tenha sido construída com aproximadamente 2,3 milhões de blocos de pedra, com peso médio entre 2,5 e 15 toneladas cada.
O filho de Quéops, Quéfren, foi responsável pela construção da segunda grande pirâmide do complexo, por volta de 2520 a.C. Seu conjunto funerário também é associado à Grande Esfinge, monumento de calcário com corpo de leão e cabeça humana. Embora a Esfinge seja frequentemente relacionada ao faraó Quéfren, não há comprovação definitiva de que ele tenha ordenado sua construção.
A terceira pirâmide principal de Gizé foi construída por Menkaure, filho de Quéfren, por volta de 2490 a.C. Menor que as duas anteriores, com cerca de 66 metros de altura, ela integra um conjunto com templos, uma longa calçada e três pirâmides menores atribuídas às rainhas. O sarcófago de Menkaure foi perdido no mar, próximo a Gibraltar, em 1838.
A forma como as pirâmides foram construídas ainda é tema de pesquisa. Registros arqueológicos e papiros antigos indicam que materiais eram transportados pelo Rio Nilo e por canais artificiais. Granito vinha de Aswan, ferramentas de cobre eram trazidas da Península do Sinai e madeira era importada do Líbano. Também havia transporte de alimentos e animais para abastecer os trabalhadores envolvidos nas obras.
A hipótese mais aceita entre pesquisadores é que os egípcios utilizavam rampas, trenós, cordas, rolos e alavancas para movimentar os blocos de pedra. A lubrificação do solo com água ou argila úmida pode ter facilitado o deslocamento das cargas. Ainda há debate sobre o formato dessas rampas, que poderiam ser retas, em ziguezague, espiraladas ou, segundo teorias mais controversas, internas.
As pirâmides também revelam informações importantes sobre a sociedade egípcia. O egiptólogo Peter Der Manuelian, da Universidade de Harvard, afirma que o complexo de Gizé deve ser analisado além de sua função funerária. Segundo ele, “muitas pessoas pensam no sítio arqueológico apenas como um ‘cemitério’ no sentido moderno, mas ele é muito mais do que isso”.
Ao explicar a importância das decorações e inscrições encontradas nos túmulos, Der Manuelian afirma: “Nesses túmulos decorados, encontramos cenas maravilhosas de todos os aspectos da vida no Egito Antigo — portanto, não se trata apenas de como os egípcios morriam, mas de como viviam”.
As paredes dos túmulos mostram cenas de agricultura, criação de animais, pesca, caça, carpintaria, vestimentas, rituais religiosos e práticas funerárias. Textos e inscrições também ajudam pesquisadores a estudar a língua egípcia, sua gramática e a organização social do período.
Der Manuelian também destaca o valor documental desses registros. Segundo ele, “quase qualquer assunto que você queira estudar sobre a civilização faraônica está disponível nas paredes dos túmulos de Gizé”.
Outro ponto de interesse está no alinhamento das pirâmides. As três estruturas foram posicionadas com grande precisão em relação aos pontos cardeais. Pesquisadores discutem se esse alinhamento foi feito com base em observações solares, sombras ou estrelas. Teorias populares que associam as pirâmides ao Cinturão de Órion não são aceitas pela maioria dos cientistas.
A história da construção das pirâmides também passa por experiências anteriores. Antes de Gizé, os reis egípcios eram sepultados em mastabas, estruturas retangulares de teto plano. Por volta de 2780 a.C., Imhotep projetou a pirâmide de degraus de Djoser. Depois, Snefru, fundador da Quarta Dinastia, aperfeiçoou técnicas em Meidum e Dahshur, incluindo a Pirâmide Curvada e a Pirâmide Vermelha.
O arqueólogo Mark Lehner observa que essas experiências anteriores contribuíram para a construção da Grande Pirâmide. Segundo ele, “é quase como se Snefru tivesse feito todo o trabalho de pesquisa e desenvolvimento”. Em seguida, acrescenta: “Khufu soube aproveitar ao máximo tudo isso e construiu a Grande Pirâmide”.
As pesquisas sobre a chamada Cidade Perdida das Pirâmides também indicam que os trabalhadores não eram escravizados da forma como por muito tempo se imaginou. Evidências arqueológicas mostram alojamentos, áreas de produção, alimentação organizada e atendimento médico. Os trabalhadores recebiam pão, cerveja, carne bovina e outros mantimentos.
Lehner afirma que os alojamentos encontrados em Gizé revelam uma estrutura coletiva complexa. Segundo ele, “a experiência de estar nesse tipo de antigo hotel deveria ser radicalmente diferente da vida em uma aldeia. E temos evidências de que as pessoas se revezavam, então era realmente uma experiência de socialização”.
Para o arqueólogo, a construção das pirâmides ajudou a consolidar uma infraestrutura administrativa e econômica de grande escala no Egito Antigo. Ao avaliar esse processo, ele afirma: “O que aconteceu foi que toda a infraestrutura que sustentava a construção das pirâmides se tornou mais importante por si só do que a própria construção das gigantescas pirâmides. O verdadeiro avanço foi na organização das pessoas”.
As pesquisas continuam. Desde 2015, o projeto ScanPyramids utiliza tecnologias modernas, como análise de partículas cósmicas, para investigar o interior das pirâmides sem danificar as estruturas. As análises já identificaram espaços vazios na Grande Pirâmide, incluindo uma área de grande dimensão próxima à Grande Galeria e uma passagem conhecida como Corredor da Face Norte.
Ainda não há consenso sobre a função desses espaços. A interpretação mais comum é que eles tenham relação com aspectos técnicos da construção, como distribuição de peso e alívio de pressão sobre câmaras internas. Mesmo após séculos de estudos, Gizé segue oferecendo novas informações e mantendo perguntas em aberto sobre a engenharia, a organização social e a visão religiosa do Egito Antigo.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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