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Novos estudos revelam que cães convivem com humanos há mais de 14 mil anos

Dois estudos científicos publicados em 25 de março de 2026 na revista Nature indicam que os cães já eram geneticamente distintos dos lobos e mantinham relação próxima com populações humanas há mais de 14 mil anos. As pesquisas analisaram restos de canídeos encontrados em sítios arqueológicos da Europa e ampliaram o entendimento sobre a origem da domesticação desses animais.

Os cientistas já reconheciam que os cães foram os primeiros animais domesticados pelos seres humanos, antes mesmo do desenvolvimento da agricultura. No entanto, as novas análises genéticas apontam que essa convivência pode ser mais antiga do que se estimava anteriormente.

O paleogeneticista Lachie Scarsbrook, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, explicou a relação construída entre cães e humanos ao longo do tempo. Ao comentar os resultados, afirmou: “Uma vez que os cães se estabelecem, eles se vinculam às populações humanas ao longo do tempo”.

Em seguida, ele acrescentou: “Nós os chamamos de cachorros do exército suíço. Eles conseguem se adaptar a todos esses papéis culturais que associamos aos cães hoje em dia.”

Segundo os pesquisadores, vestígios arqueológicos encontrados anteriormente mostravam canídeos enterrados ao lado de humanos em períodos que chegam a 34 mil anos. No entanto, apenas a posição dos restos mortais não é suficiente para confirmar um processo de domesticação.

Ao tratar desse ponto, Scarsbrook explicou: “Enterrar um animal junto a humanos é uma estratégia arriscada para identificar algo como doméstico. Sabemos que, há milênios, as pessoas enterram animais selvagens junto a humanos.”

Outro desafio encontrado pelos pesquisadores está na semelhança física entre esqueletos de cães e lobos. O paleogeneticista William Marsh, do Museu de História Natural de Londres, explicou que muitos vestígios antigos precisaram ser reavaliados com técnicas modernas de DNA.

Ao comentar as descobertas, Marsh afirmou: “Muitos supostos cães muito antigos, quando analisados por meio de DNA, na verdade revelam-se lobos.”

O geneticista evolucionista Anders Bergström, da Universidade de East Anglia, liderou uma das equipes responsáveis pela coleta de amostras de 216 canídeos encontrados próximos a populações humanas em diferentes períodos históricos.

Ao explicar a motivação da pesquisa, declarou: “Imaginamos que, se os cães estavam na Europa tão cedo, então haveria mais deles. Então, embarcamos nessa grande busca por cães primitivos na Europa e tentamos coletar amostras da forma mais abrangente possível.”

As análises identificaram que a amostra mais antiga confirmada como pertencente a um cão tinha cerca de 14.200 anos e foi encontrada em um sítio arqueológico na Suíça. Já outro grupo de pesquisadores analisou restos de canídeos encontrados na Turquia, Irã, Sérvia e Inglaterra, datados entre 15.800 e 8.900 anos.

Os estudos também identificaram que seis dessas amostras pertenciam a cães geneticamente semelhantes, sugerindo a existência de uma linhagem canina consistente em diferentes regiões da Europa há aproximadamente 14.300 anos.

Sobre a aparência desses primeiros cães, Scarsbrook afirmou: “Suspeitamos que eles se assemelhavam a lobos menores.”

Ele também comentou sobre a permanência genética dessas linhagens ao longo do tempo. Segundo o pesquisador: “E acabaram em muitas das raças de cães modernas que conhecemos hoje, como o Pastor Alemão e o São Bernardo.”

As análises também mostraram que, mesmo após grandes migrações humanas ocorridas com o surgimento da agricultura, os cães antigos não desapareceram completamente. Bergström explicou que novas populações humanas incorporaram esses animais às suas linhagens.

Ao comentar os resultados, afirmou: “Na verdade, eles os incorporaram às suas próprias populações caninas.”

Os pesquisadores também observaram que diferentes culturas tratavam os cães de forma semelhante, inclusive em rituais funerários. Em alguns sítios arqueológicos da Anatólia, região que corresponde à atual Turquia, cães foram enterrados junto aos humanos.

Scarsbrook comentou sobre esse comportamento: “Sugerindo que eles tinham uma espécie de personalidade semelhante.”

Já ao analisar práticas culturais europeias, Marsh destacou a relação simbólica entre humanos e cães. Segundo ele: “Todos eles parecem tratar esses cães de uma maneira muito, muito simbólica, semelhante a como tratamos os nossos.”

A filogeógrafa Emily Puckett, da Universidade de Memphis, avaliou os estudos e afirmou: “Trabalhos incríveis de filogeografia e genômica populacional.”

O geneticista populacional Krishna Veeramah, da Universidade Stony Brook, ressaltou que os estudos não definem exatamente quando a domesticação começou.

Ao explicar esse processo, afirmou: “É um processo longo. É algo que se desenrola ao longo de várias gerações. Não acontece de repente.”

Os pesquisadores destacam que a origem exata da domesticação dos cães ainda depende da descoberta de fósseis mais antigos. Até que novas evidências sejam encontradas, a relação entre cães e humanos continuará sendo objeto de novas investigações científicas.

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