A descoberta de um conjunto de pinturas e gravuras antigas no centro do México trouxe novos elementos para o estudo das civilizações que habitaram a região muito antes da chegada dos europeus. Os registros foram identificados em formações rochosas próximas ao Rio Tula e à Represa La Requena, em uma área conhecida como El Venado.
A identificação ocorreu durante estudos preventivos conduzidos por especialistas do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, antes da implantação de uma nova linha ferroviária de passageiros. Ao todo, foram catalogadas 16 representações entre pinturas rupestres e petróglifos, ampliando o conhecimento sobre a ocupação humana na região.
As análises indicam que as manifestações mais antigas podem ter cerca de 4 mil anos, enquanto outras foram produzidas entre o século X e o período que antecede a colonização espanhola. Esse intervalo amplo evidencia a continuidade da ocupação e da expressão cultural ao longo de diferentes gerações.

As imagens retratam figuras humanas com escudos, armas e adornos, sugerindo práticas sociais, rituais e possíveis conflitos. Também foram identificadas formas abstratas e representações que podem estar associadas a elementos naturais, como serpentes ou fenômenos climáticos.
Entre os registros, chama atenção uma figura que apresenta características relacionadas a Tlaloc, divindade ligada à fertilidade e à água na cultura mesoamericana. A presença desse tipo de símbolo reforça a hipótese de que o local possuía importância espiritual ou cerimonial.
Outras representações incluem uma figura estilizada em vermelho e uma imagem híbrida com traços humanos e membros semelhantes aos de animais, possivelmente produzida no período de contato com os colonizadores europeus. Esses elementos sugerem transformações culturais ao longo do tempo.
Diante da relevância histórica do achado, o traçado da linha ferroviária prevista para a região será modificado. A medida busca evitar impactos diretos ao sítio arqueológico e garantir a preservação das inscrições.
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