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Estudo indica que canabidiol pode reduzir danos do Alzheimer, mas aplicação em humanos ainda é incerta

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Um estudo experimental publicado na revista Molecular Psychiatry indica que o canabidiol (CBD), composto não psicoativo derivado da cannabis, pode contribuir para a redução de danos cerebrais associados ao Doença de Alzheimer. A pesquisa foi realizada com camundongos geneticamente modificados para desenvolver a doença.

Os resultados apontaram diminuição da inflamação cerebral, redução do acúmulo de proteínas tóxicas e preservação da estrutura dos neurônios, fatores considerados centrais no desenvolvimento do Alzheimer. Apesar dos achados, os pesquisadores destacam que os dados são preliminares e ainda não foram validados em humanos.

O estudo também investigou o possível mecanismo de ação do canabidiol. Nos modelos analisados, o composto interagiu com a proteína FRS2, envolvida na comunicação celular, o que levou à ativação do receptor TrkB. Esse receptor está associado à sobrevivência e ao crescimento dos neurônios, mesmo na ausência do BDNF, proteína que costuma desempenhar essa função e que se encontra reduzida em pacientes com Alzheimer.

O neurologista Diogo Haddad, do Hospital Nove de Julho e coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos, avaliou os resultados do estudo. Segundo ele: “Os pesquisadores não só mostraram que houve melhora como também investigaram por que isso acontece, identificando vias biológicas e um possível alvo molecular direto para a ação do CBD”. Ele acrescenta: “Isso fortalece a evidência do ponto de vista biológico”.

O neurologista Alexandre Kaup, do Hospital Israelita Albert Einstein, também comentou os achados. Ele afirmou: “Até agora, não se tinha a evidência do FRS2 como alvo do CBD”.

O especialista ressalta a necessidade de cautela na interpretação dos resultados. Em sua avaliação: “O achado é importante, mas é uma pista, não temos o mistério desvendado. Pode levar a outras descobertas e, eventualmente, ao uso do CBD como ferramenta no tratamento do Alzheimer, mas, por si só, não significa que encontramos o caminho”.

Kaup explicou ainda o estágio da pesquisa dentro da ciência translacional. Segundo ele: “Para isso, é preciso confirmar os resultados, validar em outros modelos, entender se o mesmo mecanismo ocorre em humanos e, só então, avançar para estudos clínicos. É um caminho longo”.

Os especialistas destacam que, embora estudos em animais sejam fundamentais para compreender os mecanismos da doença, nem sempre os resultados se reproduzem em humanos. Isso ocorre porque os modelos experimentais não contemplam toda a complexidade do Alzheimer, incluindo fatores como envelhecimento, presença de outras doenças e variações clínicas entre pacientes.

A literatura científica sobre o uso do canabidiol no Alzheimer ainda é considerada limitada, especialmente em relação aos mecanismos de ação. Estudos anteriores já sugeriam efeitos neuroprotetores do composto, como ação anti-inflamatória e influência sobre proteínas relacionadas à doença. No entanto, este trabalho está entre os primeiros a indicar a ativação direta do receptor TrkB como possível via de atuação do CBD.

Estudo indica que canabidiol pode reduzir danos do Alzheimer, mas aplicação em humanos ainda é incerta

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