A relação entre saúde mental e hipertensão arterial tem sido analisada por estudos recentes e por especialistas da área médica, indicando que fatores emocionais podem influenciar diretamente a pressão arterial. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de um terço da população adulta apresenta diagnóstico de hipertensão, condição associada a riscos como infarto e acidente vascular cerebral.
Além de fatores tradicionais, como predisposição genética, alimentação rica em sal, sedentarismo e obesidade, pesquisas indicam que quadros de ansiedade, estresse crônico e depressão também podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento da doença. Estudos publicados no Journal of the American Heart Association e revisões recentes apontam associação entre transtornos emocionais e maior probabilidade de hipertensão, especialmente entre adultos jovens.
Ao abordar o tema, o cardiologista Luciano Drager, coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, afirmou que a hipertensão é uma condição multifatorial, influenciada por diferentes aspectos do organismo e do estilo de vida.
Segundo o especialista, “tradicionalmente, olhávamos mais para fatores como idade, obesidade, sedentarismo e consumo de sal. Mas hoje sabemos que transtornos de humor, como ansiedade e depressão, também podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão”.
Ele explicou que situações frequentes de estresse e ansiedade provocam reações fisiológicas no organismo. “Esses quadros ativam respostas de alerta no organismo, com liberações repetidas de adrenalina e outros hormônios do estresse. Quando esse processo se torna crônico, pode favorecer a elevação sustentada da pressão arterial”.
O médico também destacou que o estresse pode influenciar indiretamente hábitos associados ao risco cardiovascular. “Muitas vezes, o estresse vem acompanhado de noites mal dormidas, piora da alimentação e menor prática de atividade física. Esse conjunto de fatores também contribui para o aumento da pressão”.
Em relação à prevenção, o especialista indicou a adoção de hábitos saudáveis como medida essencial. “Mais do que proibir, o caminho é orientar de forma prática: manter uma alimentação equilibrada, reduzir mas não eliminar, o sal, praticar atividade física e cuidar da qualidade do sono são medidas essenciais”.
Ele acrescentou que o cuidado com a saúde mental deve integrar a rotina. “Regular o sono, criar pausas no dia a dia e aprender a lidar com situações de estresse são atitudes simples que podem ter impacto real na pressão arterial. Cuidar da mente também é uma estratégia importante de prevenção cardiovascular”.

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