Corpo de Bombeiros do Paraná reforça que trotes ao número 193 comprometem atendimentos reais, geram custos e podem resultar em punições legais.
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná alertou para os riscos dos trotes ao número 193, canal destinado ao atendimento de emergências. A corporação informou que ligações falsas comprometem o atendimento de ocorrências reais, mobilizam equipes de forma desnecessária e podem colocar vidas em risco.
A porta-voz da instituição, capitã Luisiana Guimarães Cavalca, afirmou: “Trote não é brincadeira, é crime e pode custar vidas”. Segundo ela, todas as chamadas recebidas pela Central de Operações dos Bombeiros passam por triagem e podem gerar o deslocamento de viaturas e equipes, mesmo quando se trata de ocorrências inexistentes.
A capitã explicou que, em casos de trote, recursos públicos são utilizados indevidamente e áreas atendidas ficam temporariamente sem cobertura. “A partir do momento em que uma viatura se desloca para uma ocorrência falsa, aquela região fica desguarnecida. Se surgir uma situação real, o atendimento pode demorar mais”, afirmou.
Entre os exemplos citados, está uma ocorrência registrada em Maringá, na qual duas equipes foram mobilizadas para um suposto incêndio de grandes proporções. Ao chegarem ao local, os bombeiros constataram que se tratava de informação falsa, o que resultou na retirada temporária de cobertura operacional das áreas atendidas pelos quartéis.
A corporação destacou que, em atendimentos pré-hospitalares, o impacto dos trotes pode ser ainda mais significativo. A capitã ressaltou: “A rapidez na prestação do atendimento pré-hospitalar […] é muito importante para a sobrevida da pessoa”. Segundo ela, deslocamentos adicionais podem aumentar o tempo de resposta em até 15 minutos.
O envio de informações falsas para serviços de emergência é considerado crime. No Paraná, a Lei Estadual nº 17.107 prevê sanções administrativas, incluindo multa e responsabilização do titular da linha telefônica. A conduta também pode ser enquadrada no Código Penal Brasileiro, com penas que variam de detenção a reclusão, além de multa, conforme os artigos aplicáveis.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, parte significativa dos trotes ocorre durante a noite, madrugada ou períodos de férias escolares, muitas vezes envolvendo crianças com acesso a celulares sem supervisão. Há ainda registros de ligações feitas por pessoas com deficiência intelectual.
A capitã orientou: “Os pais e tutores devem ficar atentos ao uso de telefones […] para evitar que os serviços de emergência sejam acionados indevidamente”. A corporação reforça que o número 193 deve ser utilizado exclusivamente em situações reais, como forma de garantir agilidade no atendimento e segurança à população.

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