Um submarino nuclear da antiga União Soviética, afundado desde 1989 no Mar da Noruega, segue liberando material radioativo no fundo do oceano, segundo estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Marinha. A embarcação está localizada a cerca de 1.700 metros de profundidade e teve o vazamento registrado em imagens pela primeira vez.
O submarino K-278 Komsomolets afundou após um incêndio a bordo, causando a morte de 42 tripulantes. Com a embarcação, permaneceram no fundo do mar um reator nuclear e torpedos equipados com ogivas que contêm material radioativo.
A pesquisa, divulgada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, utilizou dados coletados por submersíveis operados remotamente. Foram analisadas imagens, registros de sonar, além de amostras de água, sedimentos e organismos marinhos obtidos nas proximidades dos destroços.
Os cientistas identificaram uma pluma visível de material radioativo saindo de pontos específicos do casco, incluindo um tubo de ventilação e áreas próximas ao compartimento do reator. Também foram encontrados níveis elevados de radionuclídeos e isótopos de plutônio, indicando que a origem da contaminação está associada ao combustível nuclear deteriorado.
O pesquisador Justin Gwynn afirmou que a equipe não esperava observar vazamento visível em determinadas áreas já monitoradas anteriormente. Apesar disso, os dados indicam que, embora os níveis de radiação sejam superiores aos do ambiente marinho comum nas proximidades do submarino, não há evidências de impacto significativo sobre a vida marinha local, devido à rápida diluição no oceano.

Análises de sedimentos próximas ao compartimento de torpedos não apontaram vazamento de plutônio das ogivas nucleares. Segundo os pesquisadores, reforços estruturais realizados pela Rússia na década de 1990 continuam funcionando.
A remoção do submarino não é considerada viável no momento. Autoridades avaliam que a operação apresenta alto custo e risco, podendo provocar liberação ainda maior de material radioativo, inclusive para a atmosfera, com consequências ambientais mais amplas.
Diante desse cenário, a prioridade da comunidade científica é ampliar o monitoramento da área e compreender o comportamento do vazamento, que ocorre de forma intermitente. Os pesquisadores também buscam identificar se há aumento na intensidade das emissões à medida que a estrutura do reator sofre corrosão ao longo do tempo.
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