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Uso de cigarros eletrônicos cresce entre jovens e levanta alerta sobre riscos à saúde

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Mais de 100 milhões de pessoas utilizam cigarros eletrônicos no mundo, incluindo cerca de 15 milhões de crianças, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde. Relatório publicado em 6 de outubro de 2025 indica que crianças são nove vezes mais propensas ao uso desses dispositivos em comparação com adultos, o que tem gerado preocupação entre autoridades de saúde.

O diretor da Organização Mundial da Saúde, Etienne Krug, afirma que, apesar de os cigarros eletrônicos serem considerados menos prejudiciais que os tradicionais, o uso tem ampliado a dependência de nicotina entre jovens. “Apesar do cigarro eletrônico ser considerado menos danoso do que o cigarro comum, na prática o aparelho aumenta a dependência em nicotina entre os mais jovens, o que é um retrocesso em décadas no avanço da saúde pública”, afirmou.

Os cigarros eletrônicos foram introduzidos no mercado em 2003, com a proposta de oferecer uma alternativa ao cigarro convencional e auxiliar no abandono do tabagismo. Com o passar dos anos, o produto se popularizou entre diferentes faixas etárias e passou a ser amplamente utilizado por adolescentes e jovens adultos, impulsionado por campanhas publicitárias e pela percepção de menor risco.

Mesmo com essa percepção, registros de problemas de saúde associados ao uso do dispositivo têm sido reportados. Casos de doenças pulmonares foram identificados em diferentes países. Em 2019, autoridades de saúde dos Estados Unidos relataram hospitalizações de adolescentes e jovens adultos com complicações respiratórias relacionadas ao uso de vape.

Além disso, há relatos de condições como irritação pulmonar e sintomas respiratórios associados ao uso contínuo. Estudos também indicam que o vapor liberado pode conter substâncias potencialmente tóxicas, incluindo compostos como formaldeído, acetaldeído e acroleína.

O funcionamento do cigarro eletrônico consiste na vaporização de um líquido que pode conter nicotina e outros componentes químicos. Embora não envolva combustão como o cigarro tradicional, o processo pode expor o usuário a partículas finas que são absorvidas pelo organismo.

Pesquisas apontam que a nicotina presente nesses dispositivos pode causar aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e estímulo do sistema nervoso. Há ainda estudos que associam o uso a episódios de convulsões induzidas por altas doses da substância.

Outro ponto observado por especialistas é o potencial de iniciação ao consumo de nicotina. Embora alguns estudos indiquem que o cigarro eletrônico pode auxiliar fumantes a abandonar o cigarro tradicional, também há evidências de que ele pode introduzir novos usuários ao consumo da substância, especialmente entre adolescentes.

Casos de acidentes também foram registrados. Há relatos de explosões de dispositivos, que causaram ferimentos em usuários. Autoridades sanitárias emitiram orientações sobre o uso seguro, incluindo cuidados com carregamento e armazenamento dos aparelhos.

Até o momento, não há consenso científico sobre os efeitos de longo prazo do uso de cigarros eletrônicos. Especialistas apontam que são necessários estudos mais amplos e com maior duração para avaliar os impactos reais à saúde.

O cenário regulatório varia entre países. Em algumas regiões, o uso e a comercialização são restritos ou proibidos, enquanto em outras há regulamentação específica. O debate envolve tanto o potencial de redução de danos quanto os riscos associados ao aumento do consumo entre jovens.

A expansão do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes, mantém o tema em discussão entre autoridades de saúde pública, pesquisadores e órgãos reguladores, diante da necessidade de equilibrar possíveis benefícios e riscos à população.

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