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Amostras de vírus retiradas de laboratório de alta segurança na Unicamp são alvo de investigação

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A retirada de amostras de vírus de um laboratório de alta segurança da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está sendo investigada pelas autoridades. O material teria sido retirado de uma área classificada como nível 3 de biossegurança (NB-3), considerada a mais alta atualmente em operação no país para estudos com agentes infecciosos, exigindo controle rigoroso de acesso e manipulação.

A suspeita é a pesquisadora e professora Soledad Palameta Miller, de 36 anos, que atuava na instituição. Ela foi presa em flagrante pela Polícia Federal, mas teve a liberdade provisória concedida pela Justiça. A docente responderá por acusações relacionadas à exposição da saúde pública a risco, transporte irregular de organismo geneticamente modificado e fraude processual.

Segundo informações da investigação, as amostras foram encontradas em laboratórios utilizados pela pesquisadora dentro da universidade. Os detalhes sobre o material biológico seguem sob sigilo judicial, sendo tratados apenas como “vírus” nos documentos oficiais.

A defesa da pesquisadora sustenta que não há comprovação material das acusações e afirma que ela utilizava estruturas de outros laboratórios por não possuir espaço próprio para desenvolvimento de suas atividades.

Como medida cautelar, a Justiça determinou que a professora compareça mensalmente à Justiça Federal, pague fiança equivalente a dois salários mínimos e não se ausente da cidade de Campinas por mais de cinco dias sem autorização. Também foi proibida de sair do país e de acessar os laboratórios envolvidos na investigação.

A Universidade Estadual de Campinas informou que instaurou sindicância interna para apurar os fatos.

De acordo com a cronologia apresentada no processo, o desaparecimento das amostras foi identificado em 13 de fevereiro no laboratório de virologia do Instituto de Biologia. Em 23 de março, a universidade acionou a Polícia Federal, que localizou o material em instalações da Faculdade de Engenharia de Alimentos. No dia seguinte, a Justiça concedeu liberdade provisória à investigada.

As investigações apontam que a pesquisadora não possuía acesso autorizado à área de biossegurança de onde as amostras foram retiradas. Conforme os dados apurados, ela teria utilizado o auxílio de uma orientanda para entrar em laboratórios e acessar equipamentos, inclusive fora do horário regular.

O material biológico foi armazenado e manipulado em locais considerados inadequados, sem os protocolos exigidos para esse tipo de agente. Segundo informações do processo, houve descarte de materiais em lixeiras comuns, o que pode ter exposto outras pessoas a riscos.

As amostras foram localizadas em diferentes pontos dentro da universidade. Em um dos locais, na Faculdade de Engenharia de Alimentos, estavam armazenadas em um freezer lacrado. Em outro, no Instituto de Biologia, foram encontrados recipientes manipulados e abertos em espaço compartilhado com outros pesquisadores.

Laboratórios classificados como NB-3 trabalham com agentes que apresentam alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade, podendo causar doenças graves e serem transmitidos por vias como o ar, embora existam medidas de controle e tratamento.

O caso segue sob investigação da Polícia Federal e das instâncias internas da universidade.

Amostras de vírus retiradas de laboratório de alta segurança na Unicamp são alvo de investigação
Foto: Reprodução Redes Sociais

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