O desabastecimento de diesel já atinge 142 municípios do Rio Grande do Sul, conforme levantamento preliminar da Federação das Associações de Municípios do Estado (Famurs). A escassez do combustível tem levado prefeituras a adotarem medidas de contenção e a priorizarem serviços considerados essenciais, como saúde e transporte de pacientes.
A pesquisa foi encaminhada a 315 prefeituras, com retorno de aproximadamente 45% dos municípios até a última atualização. O Estado possui 497 cidades. Segundo a entidade, a dificuldade no abastecimento compromete o funcionamento de veículos e maquinários, podendo resultar na suspensão de obras e na redução de serviços públicos.
A presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, alertou para os impactos diretos nos serviços municipais. “Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades. Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços. Precisam de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal.”
Diante do cenário, municípios têm restringido atividades que dependem de maquinário e combustível, mantendo apenas operações consideradas prioritárias. Caso o desabastecimento persista, há risco de ampliação dos impactos em áreas sensíveis da administração pública.
Algumas cidades já adotaram medidas mais severas. Tupanciretã e Formigueiro decretaram situação de emergência na última semana em razão da escassez de diesel. Os municípios, que possuem economia baseada no agronegócio, enfrentam dificuldades no escoamento da produção, o que pode afetar a próxima safra.
O cenário envolve fatores relacionados a preços, logística e distribuição. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou que acompanha a situação e notificou a Petrobras para ampliar a oferta de combustíveis. Segundo a agência, a região da Grande Porto Alegre já apresenta normalização no abastecimento, enquanto o interior deve receber reposição ao longo da semana.
Apesar disso, municípios da região metropolitana já adotam medidas preventivas. Em São Leopoldo, houve suspensão de linhas de ônibus no fim de semana dos dias 14 e 15 de março, seguida pela redução de horários no início desta semana, diante do receio de falta de combustível.
O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sulpetro) afirmou que não há ausência total de diesel no Estado, mas sim uma distribuição limitada, com envio racionado por parte das distribuidoras, o que pode gerar sensação de escassez.
Órgãos de defesa do consumidor registraram aumento nos preços em postos desde fevereiro. Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor, a Agência Nacional do Petróleo e os Procons realizaram fiscalizações em 25 estados, abrangendo mais de mil estabelecimentos.
O contexto internacional também influencia o cenário. A instabilidade no mercado global de petróleo, associada a conflitos geopolíticos e à restrição de rotas estratégicas, tem impactado o fornecimento e os preços dos combustíveis. No Brasil, embora haja produção interna, parte do diesel consumido depende de importação, o que amplia os efeitos das oscilações externas sobre o abastecimento nacional.

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