A descoberta de um sítio arqueológico no leste da França tem chamado a atenção de pesquisadores ao revelar um antigo templo celta com indícios claros de práticas religiosas e organização social. Localizado em Mancey, no topo de uma colina, o espaço foi identificado por uma equipe liderada pelo pesquisador Grégory Compagnon, do Laboratório Arqueológico e Arqueometria da França, e oferece novas pistas sobre a espiritualidade na Europa antiga.
A escavação revelou estruturas que indicam um ambiente de culto bem definido, com áreas destinadas à circulação, reuniões e rituais. Entre os achados mais relevantes está um bloco de alvenaria pintado com a representação do deus celta Sucellus, associado à proteção, à agricultura e à abundância, reforçando o caráter religioso do local.
Estrutura do templo revela organização ritual
O templo possuía duas construções principais e espaços planejados para atividades coletivas. Em uma das salas internas, os arqueólogos encontraram elementos que indicam uso cerimonial, como bases de estátuas, uma mesa de pedra de grandes dimensões e um altar com borda elevada. Esses componentes sugerem que o espaço era utilizado para práticas religiosas estruturadas, possivelmente com participação de grupos.
O bloco pintado com a imagem de Sucellus foi encontrado em um pequeno altar revestido com gesso, o que demonstra cuidado estético e simbólico na construção do ambiente. A presença desse tipo de representação reforça a importância da divindade cultuada no local.
Moedas ajudam a datar o templo
A datação do templo foi possível graças à descoberta de 17 moedas em um piso de argila, indicando que a construção inicial ocorreu por volta do ano 280 d.C. Segundo os pesquisadores, esse conjunto pode representar um depósito de fundação, prática comum em construções antigas para marcar simbolicamente o início de uma edificação.
Posteriormente, o espaço passou por modificações, por volta de 325 d.C., quando foram adicionados um vestíbulo, bancos e um pódio. Essas mudanças sugerem uma adaptação do ambiente para novas formas de uso ou para ampliar a participação em rituais.

Vestígios apontam para rituais e refeições cerimoniais
Entre os achados mais significativos estão restos de alimentos que indicam possíveis refeições rituais. Ossos de leitões, galinhas, pequenos pássaros e peixes foram encontrados, acompanhados de utensílios como xícaras de cerâmica e vidro, além de objetos pessoais como contas, alfinetes e um ornamento de ouro.
Esses elementos indicam que o local não era apenas simbólico, mas também servia como ponto de encontro para celebrações coletivas, possivelmente com forte caráter religioso e social.
Abandono do templo e continuidade de visitas
Mesmo após o declínio do uso do templo, evidências mostram que o local continuou sendo frequentado. Em uma cova, os arqueólogos encontraram cerca de 100 moedas, uma lâmpada de culto e dez estatuetas de argila branca representando deusas-mãe, o que pode indicar um ritual de encerramento ou transformação do espaço.
Além disso, fragmentos de objetos e moedas sugerem que o sítio permaneceu sendo visitado até o final do século IV, evidenciando a persistência de práticas culturais e religiosas mesmo após o abandono formal da estrutura.
LEIA MAIS: Esqueletos com pregos no peito intrigam arqueólogos em Roma




