O câncer de colo do útero registrou 7.249 mortes no Brasil em 2025, o que corresponde a uma média de quase 20 óbitos por dia, segundo dados preliminares do Ministério da Saúde. Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 19.310 novos casos anuais, número superior ao período anterior.
A oncologista Mônica Bandeira, que atua na área há décadas em Manaus, avaliou que os avanços no controle da doença são limitados. Segundo ela, a situação atual não apresenta mudanças significativas ao longo do tempo, apesar da existência de medidas preventivas eficazes, como a vacinação contra o HPV.
Em sua declaração, a médica afirmou que o cenário pouco evoluiu nas últimas décadas e destacou a necessidade de maior efetividade nas ações de prevenção e diagnóstico.
O ginecologista Eduardo Cândido, presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo, informou que o país não tem conseguido reduzir a incidência da doença. De acordo com ele, o Brasil permanece em um patamar estável, sem queda significativa nos casos.
Segundo especialistas, o principal fator associado à manutenção dos índices é o diagnóstico tardio. Estudos indicam que a maioria dos casos de câncer ginecológico no país é identificada em estágios avançados, o que reduz as chances de tratamento eficaz.
Os dados também mostram diferenças regionais na incidência da doença. Nas regiões Norte e Nordeste, o câncer de colo do útero figura entre os mais frequentes entre as mulheres, com taxas superiores às observadas no Sudeste. No estado do Amazonas, os índices estão entre os mais elevados do país.
Eduardo Cândido afirmou que há desigualdade na distribuição de políticas públicas de saúde, com necessidade de direcionamento mais efetivo de recursos para regiões com maior incidência.
A oncologista Mariana Scaranti, que atua na rede privada em São Paulo, destacou a diferença no perfil dos pacientes atendidos. Segundo ela, casos avançados são menos frequentes no sistema privado, enquanto em regiões com menor acesso à saúde, os diagnósticos tardios são mais comuns.
De acordo com Mônica Bandeira, no Amazonas, pacientes frequentemente chegam aos serviços de saúde em estágios avançados da doença, muitas vezes com complicações graves. Ela relatou que, em algumas localidades, o tempo para processamento de exames pode chegar a meses.
O Ministério da Saúde iniciou a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde. O novo método apresenta maior sensibilidade na detecção do vírus, com possibilidade de ampliar a eficácia do rastreamento.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a implementação do novo exame representa um avanço no sistema público, com prioridade para regiões com maior incidência da doença. Ele afirmou que a expansão para todos os estados deve ocorrer até o final de 2026.
O governo do Amazonas informou que está em fase de planejamento para implementação do teste, com projetos pilotos em alguns municípios e previsão de ampliação progressiva.
Especialistas apontam que estratégias como a autocoleta para detecção do HPV podem ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente em regiões de difícil acesso, como comunidades ribeirinhas.
O Brasil assumiu o compromisso com a Organização Mundial da Saúde de eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030. Entre as metas estão ampliar a cobertura vacinal contra o HPV, aumentar o rastreamento e garantir tratamento adequado.
De acordo com dados oficiais, o HPV está associado à maioria dos casos da doença. A vacina está disponível gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes, e a ampliação da cobertura vacinal é considerada uma das principais estratégias de prevenção.
Especialistas destacam que, apesar dos avanços, a redução significativa dos casos depende da combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e ampliação do acesso aos serviços de saúde.

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