Os dejetos das vacas leiteiras na propriedade da família Capitani, em Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, passaram a ser utilizados como fonte de energia e fertilizante após a instalação de um biodigestor de baixo custo. O sistema transforma o esterco em biogás e digestato, um biofertilizante com alto teor de nutrientes, contribuindo para a redução de despesas e para a gestão ambiental da atividade.
A tecnologia foi desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e vem sendo aprimorada desde os anos 2000. A unidade instalada na propriedade será apresentada a produtores rurais durante um Dia de Campo promovido pela Epagri e parceiros.
O extensionista rural Paulo Gonçalves Duchini explicou que a proposta é transformar a propriedade em unidade de referência técnica. Segundo ele, a tecnologia apresenta grande potencial de aplicação na região, caracterizada pela predominância de pequenas propriedades leiteiras. Duchini afirmou que o biodigestor é de baixo custo e fácil instalação, permitindo a geração de biogás e biofertilizante e a redução de gastos com energia elétrica e gás, especialmente no aquecimento de água para higienização de equipamentos.
A produtora rural Aline Capitani declarou que recomenda a adoção do sistema por outros produtores. Ela destacou que o investimento não se limita à economia financeira, mas também envolve a preservação ambiental, defendendo a necessidade de ações práticas para reduzir impactos.
Atualmente, o biogás gerado na propriedade é utilizado para aquecer a água do sistema de ordenha e para o preparo de alimentos da família, reduzindo o consumo de gás de cozinha e lenha. Há ainda a possibilidade de ampliação do uso para aquecimento de água em chuveiros e torneiras, o que pode diminuir a conta de energia elétrica.
Além do biogás, o sistema produz digestato, utilizado como biofertilizante na lavoura, substituindo parte dos adubos químicos. Aline Capitani relatou que, antes da instalação, não havia estrutura adequada para armazenamento do esterco, o que gerava problemas com moscas e odores. Segundo ela, com a implantação da esterqueira e do biodigestor, a gestão dos dejetos tornou-se mais organizada e sustentável.
O investimento total na propriedade foi de aproximadamente R$ 15 mil, incluindo geomembrana, caixas de passagem, calhas para coleta de água da chuva, tubulações, cerca de isolamento e equipamentos para utilização do biogás.
O primeiro Biodigestor de Baixo Custo foi instalado em 2008, em Laurentino, no Alto Vale do Itajaí, e validado pela Embrapa dez anos depois. O extensionista da Epagri, Osnei Córdova Muniz, informou que o sistema está presente em diversas regiões do país, embora não haja levantamento exato do número de unidades instaladas. Ele acrescentou que a propriedade pioneira já recebeu mais de 300 visitas técnicas.
De acordo com a Epagri, o custo médio do sistema varia entre R$ 8 mil e R$ 10 mil para propriedades com 20 a 30 vacas, com retorno do investimento estimado em até dois anos, considerando a economia com energia, lenha, fertilizantes e mão de obra.
O coordenador estadual do Programa de Desenvolvimento e Sustentabilidade Ambiental da Epagri, Jeferson João Soccol, afirmou que a tecnologia atende às demandas por sustentabilidade e eficiência na produção rural. Segundo ele, a tendência é de ampliação da adesão ao sistema, especialmente com apoio de programas de fomento e capacitações técnicas.
Fonte: NSC Total

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