Pesquisa da Royal Society Publishing aponta que rainhas de mamangavas conseguem extrair oxigênio da água e reduzir drasticamente o metabolismo para sobreviver a inundações.
A capacidade de rainhas de mamangavas sobreviverem por mais de uma semana submersas em água passou a ser compreendida com maior precisão após novo estudo publicado pela Royal Society Publishing. A pesquisa identificou os mecanismos fisiológicos que permitem a esses insetos manter funções vitais mesmo sob condições extremas.
De acordo com o estudo, as rainhas conseguem retirar oxigênio diretamente da água, além de reduzir drasticamente o metabolismo durante o período de submersão. O trabalho foi conduzido por equipe liderada pelo fisiologista evolutivo Charles Darveau, da Universidade de Ottawa, no Canadá.
Importância para a sobrevivência das colônias
Durante o inverno, muitas espécies entram em diapausa, estado caracterizado por metabolismo reduzido e imobilidade prolongada. As rainhas de mamangava costumam permanecer em pequenos abrigos subterrâneos até a chegada da primavera. No entanto, esses locais podem ser inundados por chuvas intensas, degelo ou elevação do lençol freático.
A capacidade de resistir à submersão aumenta as chances de sobrevivência da rainha e, consequentemente, da futura colônia. Segundo os pesquisadores, o fenômeno indica que insetos terrestres podem apresentar estratégias adaptativas para enfrentar eventos climáticos extremos.

Mecanismos fisiológicos identificados
Estudos anteriores já apontavam que cerca de 90% das rainhas da espécie Bombus impatiens sobrevivem após até sete dias submersas. A pesquisa recente detalhou três fatores principais envolvidos na resistência: respiração subaquática com extração de oxigênio dissolvido, metabolismo anaeróbico e depressão metabólica profunda.
Em experimentos de laboratório, as rainhas em diapausa foram submersas em água fria, enquanto os pesquisadores monitoravam a troca de gases e a atividade metabólica. Observou-se redução nos níveis de oxigênio na água e aumento de dióxido de carbono, indicando respiração mesmo sob a superfície. O acúmulo de lactato confirmou a ativação parcial do metabolismo anaeróbico.
Redução extrema do metabolismo
A diapausa já reduz a atividade metabólica em mais de 95%. Durante a submersão, essa redução torna-se ainda mais acentuada. Antes do experimento, as abelhas produziam aproximadamente 15,42 microlitros de dióxido de carbono por hora por grama de massa corporal. Após oito dias submersas, o índice caiu para 2,35 microlitros, cerca de um sexto do valor inicial.

Essa diminuição no gasto energético é considerada determinante para a sobrevivência em ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio.
Questões ainda em investigação
Os pesquisadores levantam a hipótese de que as abelhas possam utilizar uma camada de ar presa ao corpo, semelhante a uma “brânquia física”, que facilitaria a troca gasosa com a água. Essa possibilidade, no entanto, ainda depende de confirmação experimental.
Estudos futuros devem avaliar os limites temporais dessa adaptação e os fatores ambientais que podem influenciar a resistência à submersão. As conclusões ampliam o conhecimento sobre estratégias fisiológicas de sobrevivência e podem contribuir para compreender a adaptação de insetos a mudanças climáticas e eventos extremos.
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