Assembleia Legislativa e OAB alertam sobre o golpe do falso advogado, que utiliza dados reais de processos para exigir pagamentos via Pix. Crime já soma mais de 17 mil vítimas no país.
A Assembleia Legislativa reforçou alerta à população sobre o chamado “golpe do falso advogado”, prática criminosa que já fez milhares de vítimas em todo o país e tem provocado prejuízos financeiros e emocionais. O objetivo é orientar cidadãos sobre o funcionamento da fraude, os sinais de risco e as medidas preventivas necessárias.
O crime consiste em contatos feitos por telefone ou aplicativos de mensagens, nos quais o estelionatário se apresenta como advogado, representante de escritório ou integrante do sistema de Justiça. Utilizando dados reais de processos judiciais disponíveis em plataformas públicas, os criminosos informam que a vítima possui valores a receber e exigem pagamento antecipado de taxas, custas ou honorários para liberar o montante.
O deputado Ivan Naatz destacou o aumento dos registros e classificou o problema como questão de segurança pública. Ele orienta que qualquer pedido de pagamento urgente seja tratado com desconfiança e que o contato direto com o profissional responsável pelo processo seja realizado antes de qualquer transferência.
Em Santa Catarina, a OAB-SC contabiliza centenas de relatos de uso indevido de nomes e números de registro profissional. O presidente da entidade, Juliano Mandelli, explicou que os criminosos se passam por integrantes do sistema de Justiça e convencem as vítimas de que precisam pagar valores para receber quantias supostamente liberadas. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, o número de vítimas já ultrapassa 17 mil em todo o país.
Para conferir credibilidade à fraude, os golpistas utilizam nome e foto reais de advogados, número verdadeiro da OAB, linguagem técnica e até recursos de inteligência artificial, incluindo vídeos manipulados e chamadas simuladas. O pagamento costuma ser exigido via Pix ou boleto, geralmente em nome de terceiros, com apelo de urgência para pressionar a vítima.
A Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina também registra aumento na procura por orientação. O defensor público Edson Schmitt relatou que sua imagem já foi utilizada em tentativas de fraude. Ele reforça que a Defensoria presta assistência gratuita e não cobra qualquer valor durante o andamento dos processos.
Advogados relatam impacto direto na rotina profissional, com necessidade constante de esclarecimentos e reforço de orientações preventivas aos clientes. Segundo profissionais da área, os golpistas criam cenários detalhados, informam números de processos reais e direcionam transferências para contas de terceiros, dificultando a recuperação dos valores.
Caso a vítima já tenha realizado o pagamento, a orientação é entrar imediatamente em contato com a instituição financeira e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução do Pix, além de registrar boletim de ocorrência e reunir todas as provas disponíveis.
Como medida preventiva, recomenda-se confirmar a identidade do advogado pelos canais oficiais, verificar o registro profissional no site da OAB e evitar fornecer dados bancários ou senhas. Em situações de dúvida, o contato presencial com o escritório ou com a Defensoria Pública é indicado.

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