As tartarugas soviéticas que circundaram a Lua em 1968 e voltaram vivas à Terra

As tartarugas soviéticas que circundaram a Lua em 1968 e voltaram vivas à Terra

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Em setembro de 1968, no auge da disputa tecnológica entre União Soviética e Estados Unidos, uma missão espacial soviética alcançou um marco inédito: levou seres vivos a contornar a Lua e regressar ao planeta. A bordo da sonda Zond 5, não estavam cosmonautas, mas duas tartarugas da espécie Testudo horsfieldii, além de outros organismos utilizados para experimentos biológicos.

A espaçonave 7K-L1 foi lançada entre os dias 14 e 15 de setembro de 1968 por um foguete Proton, a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. O objetivo era testar as condições de uma viagem circumlunar com retorno seguro, etapa considerada essencial para futuras missões tripuladas. A operação era conduzida pelo programa espacial soviético, hoje sucedido pela Roscosmos.

Logo após a decolagem, falhas técnicas exigiram correções em tempo real por parte da equipe liderada por Vasili Mishin, então projetista-chefe do programa lunar soviético. Durante o trajeto até a Lua, componentes da nave apresentaram problemas, incluindo falhas em sensores e contaminação de partes do sistema. Mesmo assim, a missão prosseguiu.

As tartarugas soviéticas que circundaram a Lua em 1968 e voltaram vivas à Terra
Foto: Divulgação/NASA

A Zond 5 alcançou a órbita lunar, passando a cerca de 1.950 quilômetros da superfície do satélite natural, e realizou registros fotográficos antes de iniciar o retorno. A reentrada na atmosfera terrestre foi considerada crítica. O escudo térmico da cápsula suportou temperaturas extremas até o pouso no Oceano Índico, em 21 de setembro de 1968. A recuperação ocorreu com o auxílio de paraquedas e sinalizadores, sendo a cápsula resgatada por embarcações soviéticas.

No interior do módulo, as duas tartarugas estavam vivas, embora debilitadas. Haviam perdido aproximadamente 10% do peso corporal, estavam em jejum desde antes do lançamento e apresentavam sinais de desgaste físico. Ainda assim, tornaram-se os primeiros seres vivos a viajar ao redor da Lua e retornar à Terra com vida.

A bordo também seguiam moscas-das-frutas, vermes, sementes, plantas, bactérias e um manequim equipado com sensores para medir radiação. O conjunto de experimentos buscava avaliar os efeitos da radiação cósmica e das condições espaciais sobre organismos vivos, fornecendo dados para futuras viagens humanas.

As tartarugas soviéticas que circundaram a Lua em 1968 e voltaram vivas à Terra
Foto: Divulgação/energia.ru

Após exames iniciais, as tartarugas foram sacrificadas para autópsia e análise científica detalhada. A missão foi considerada bem-sucedida e reforçou a posição soviética na corrida espacial naquele momento.

A repercussão internacional foi imediata. No Reino Unido, o Observatório Jodrell Bank acompanhou os sinais da nave e chegou a interceptar transmissões com vozes humanas, o que levantou suspeitas de que a União Soviética pudesse ter enviado cosmonautas secretamente. Posteriormente, esclareceu-se que se tratava de gravações usadas para testes de comunicação.

A Zond 5 integrou uma série de missões automáticas soviéticas. Outras cápsulas do mesmo programa também transportaram cargas biológicas, embora nem todas tenham obtido sucesso no retorno. A exploração espacial com animais já vinha ocorrendo desde 1946, com experimentos envolvendo insetos, cães e macacos. Entre os casos mais conhecidos está o da cadela Laika, enviada ao espaço em 1957 a bordo do Sputnik 2.

No contexto da corrida lunar, as tartarugas da Zond 5 ocuparam um capítulo singular. Ao completar a volta ao redor da Lua e retornar com vida, abriram caminho para que, meses depois, missões tripuladas pudessem realizar trajetórias semelhantes. O episódio permanece como um dos marcos científicos mais emblemáticos da exploração espacial do século XX.

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