O primeiro eclipse lunar total de 2026 está previsto para ocorrer na manhã desta terça-feira, 3 de março. O fenômeno, conhecido popularmente como Lua de Sangue, será visível em partes das Américas, da Ásia e da Oceania. No Brasil, entretanto, a observação será parcial e limitada em razão do horário e da posição da Lua no horizonte.
De acordo com dados astronômicos, o eclipse deve ocorrer entre 5h e 6h da manhã, no horário de Brasília. Nesse intervalo, a Lua estará muito próxima do horizonte oeste, prestes a se pôr. Essa condição reduz significativamente a possibilidade de observação plena do fenômeno em grande parte do território brasileiro.
Durante um eclipse lunar total, a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, fazendo com que o satélite natural atravesse a região mais escura da sombra terrestre, denominada umbra. Quando isso acontece, a Lua deixa de refletir a luz solar direta e passa a apresentar coloração avermelhada característica, fenômeno que motiva a denominação popular de Lua de Sangue.
Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, a visibilidade no Brasil será prejudicada tanto pelo horário quanto pela baixa altitude da Lua no momento do evento. Ele explica que, quando o eclipse começar a se tornar perceptível, o satélite já estará muito próximo do horizonte, o que dificulta a observação, especialmente em áreas urbanas com obstáculos visuais.
Ainda conforme o especialista, as regiões mais a oeste do país terão condições ligeiramente mais favoráveis. Estados como Acre e áreas do oeste do Amazonas poderão registrar parte do fenômeno antes do ocaso lunar. Mesmo nessas localidades, porém, a visualização será restrita a uma fração do evento total.
O melhor cenário de observação do eclipse lunar total de março de 2026 estará em regiões onde ainda for noite durante a fase total. Ilhas do Pacífico, como Nova Zelândia e Fiji, apresentam condições ideais para acompanhar todas as etapas do fenômeno, uma vez que a Lua permanecerá mais alta no céu durante o período de totalidade.
Em 2026, estão previstos quatro eclipses ao longo do ano. O primeiro ocorreu em 17 de fevereiro e foi um eclipse solar anular. O evento de 3 de março é o primeiro eclipse lunar total do calendário astronômico anual. Outros fenômenos ainda devem ocorrer nos meses seguintes, conforme cronograma divulgado por instituições científicas.
A coloração avermelhada observada durante o eclipse lunar total é resultado da interação da luz solar com a atmosfera terrestre. Quando a Terra bloqueia a luz direta do Sol, parte da luminosidade ainda consegue atravessar a atmosfera antes de alcançar a superfície lunar. Nesse percurso, ocorre o espalhamento da luz azul, permitindo que apenas os comprimentos de onda avermelhados atinjam a Lua.
Esse mesmo efeito óptico pode ser observado durante o nascer e o pôr do sol, quando o astro apresenta tonalidade mais avermelhada. Nesses momentos, a luz solar percorre uma camada maior da atmosfera terrestre, intensificando o espalhamento da luz azul e destacando os tons vermelhos e alaranjados.
Durante o eclipse lunar total, o processo ocorre de forma semelhante. A luz que chega à Lua é predominantemente vermelha devido à filtragem atmosférica. Como resultado, o satélite assume coloração que pode variar entre tons de cobre e vermelho escuro, dependendo das condições atmosféricas do momento.
Especialistas recomendam que interessados em observar o fenômeno busquem locais com horizonte oeste desobstruído, afastados de prédios, árvores e poluição luminosa. Mesmo com visibilidade parcial no Brasil, a observação pode ser realizada a olho nu, sem necessidade de equipamentos específicos, desde que as condições climáticas sejam favoráveis.
O eclipse lunar total é considerado um dos fenômenos astronômicos mais acessíveis ao público em geral, por não exigir proteção ocular específica, ao contrário dos eclipses solares. Ainda assim, a baixa altitude da Lua no momento previsto para o evento poderá limitar a experiência de observação em grande parte do país.




