O lançamento do documentário “Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú”, exibido pela Globo, reacendeu a memória de uma das bandas mais marcantes da música brasileira dos anos 1990. O especial revisita a trajetória meteórica do grupo Mamonas Assassinas, interrompida de forma abrupta em 2 de março de 1996, quando um acidente aéreo na Serra da Cantareira, em São Paulo, vitimou os cinco integrantes da banda, além de integrantes da equipe de apoio e da tripulação.
Entre as pessoas diretamente impactadas pela tragédia estava a ex-modelo Valéria Zopello, então namorada do vocalista Alecsander Alves Leite, o Dinho. Passadas quase três décadas, ela voltou a se manifestar publicamente sobre o relacionamento, o período de luto e as escolhas que fez ao longo da vida.
Dinho, ao lado de Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, morreu após a aeronave colidir com a Serra da Cantareira. Também perderam a vida o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o copiloto Alberto Takeda, o assistente de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto. O episódio marcou profundamente a história da música brasileira e permanece como uma das maiores tragédias do cenário artístico nacional.
Em publicação nas redes sociais, Valéria esclareceu que mantém vínculo afetivo com a região onde ocorreu o acidente, mas rejeita a ideia de que viva presa ao passado. “Não moro no ‘local do acidente’. Nasci na Serra da Cantareira, e aqui é meu lugar”, afirmou. No mesmo texto, ressaltou que viveu uma história intensa, mas que isso não a coloca em uma posição diferenciada ou de luto permanente.
Ao comentar o relacionamento com o cantor, Valéria foi direta. Disse que namorou “um dos homens mais lindos, talentosos, desejados e engraçados do Brasil” e afirmou que o sentimento entre eles foi verdadeiro e intenso. Segundo ela, trata-se de um amor que carrega consigo como memória afetiva, sem que isso signifique permanecer presa ao sofrimento.
Ela também abordou o impacto da exposição pública. À época do acidente, a comoção nacional colocou não apenas os integrantes da banda, mas também pessoas próximas sob forte atenção da mídia. Valéria afirmou que experimentou a fama, mas reconhece que a notoriedade é passageira e envolve aspectos positivos e negativos. Atualmente, diz sentir alívio por não precisar mais expor sua imagem e opta por preservar a vida pessoal.
Após o período de luto, Valéria construiu uma trajetória profissional fora do país. Viveu na Europa, onde atuou por cerca de 20 anos como fotógrafa especializada em automobilismo, área pela qual declara grande interesse. O trabalho a levou a mais de 30 países, incluindo participações em ações de caráter humanitário. A experiência internacional marcou uma fase de reconstrução pessoal e profissional.
Hoje, aos 52 anos, ela é proprietária de um orquidário e também dirige uma agência de elenco. A mudança de área representou uma nova etapa, distante dos holofotes que marcaram sua juventude. Segundo relatou, as decisões tomadas ao longo do caminho refletem escolhas conscientes, guiadas por valores familiares e pela busca por equilíbrio.
Valéria também respondeu a especulações recorrentes sobre sua vida afetiva após a morte de Dinho. Ela afirmou que voltou a se relacionar ao longo dos anos e que viveu outras histórias importantes. Destacou que conheceu homens com quem construiu vínculos e memórias significativas, cada qual em seu tempo. Sobre a maternidade, explicou que não ter tido filhos foi, em parte, resultado das exigências profissionais e, em parte, consequência natural de sua trajetória.
Em reflexão sobre o luto, declarou que não acredita na perpetuação indefinida da dor. Para ela, o luto precisa ter um período para que seja possível seguir adiante, entendendo que as pessoas que partem desejam que aqueles que ficam continuem vivendo plenamente. Questionada se ainda se recorda de Dinho, respondeu afirmativamente, mas destacou que isso não significa manter-se em sofrimento constante.
O documentário exibido pela Globo resgata momentos da carreira dos Mamonas Assassinas, banda que alcançou sucesso nacional em curto espaço de tempo com músicas que misturavam humor, irreverência e diferentes estilos musicais. A produção revisita bastidores, entrevistas e a relação do grupo com o público, além de contextualizar o impacto cultural deixado pelo conjunto.
A história de Valéria Zopello se entrelaça com esse capítulo da música brasileira, mas segue em trajetória própria. Ao comentar sua vida atual, ela afirmou que se considera feliz e que conduz suas decisões de acordo com o que entende ser melhor para si. Reforçou que não se arrepende das escolhas feitas, inclusive a de se manter afastada da exposição midiática.
Quase 30 anos após o acidente que interrompeu a carreira dos Mamonas Assassinas, o legado da banda permanece presente na memória coletiva. Para Valéria, a lembrança do relacionamento com Dinho integra sua história pessoal, mas não define o presente.

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