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Dente quebrado saiba como agir nos primeiros minutos para evitar canal ou perda dentária

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Quebrar um dente durante uma refeição, prática esportiva ou em um acidente doméstico é uma situação mais comum do que se imagina. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), problemas de saúde bucal estão entre as condições mais frequentes em nível global, e os traumas dentários representam parcela significativa desses casos, especialmente entre jovens e adultos fisicamente ativos.

O que muitos pacientes desconhecem é que o intervalo entre o momento do trauma e o atendimento odontológico pode ser determinante para o sucesso do tratamento. Em situações de fratura ou lasca, as medidas adotadas nos primeiros minutos influenciam diretamente nas chances de preservar a estrutura natural do dente e evitar procedimentos mais invasivos no futuro.

Segundo o cirurgião-dentista Dr. Paulo Yanase, da Oral Sin, as fraturas dentárias podem variar em profundidade e gravidade. Ele explica que a lesão pode atingir apenas o esmalte, camada mais externa e resistente do dente, ou avançar para estruturas internas como a dentina, a polpa e até a raiz.

“Do ponto de vista clínico, as fraturas dentárias podem envolver desde o esmalte até estruturas mais profundas, como dentina, polpa e raiz. Quando há comprometimento da polpa, existe risco de contaminação bacteriana, inflamação e necrose do tecido interno”, afirma o especialista.

O dentista ressalta que o tempo decorrido até a avaliação profissional interfere diretamente no prognóstico do caso. “Os primeiros minutos após a fratura são decisivos para aumentar as chances de preservar o dente natural”, destaca.

Diante de um acidente, a primeira medida deve ser manter a calma e avaliar se há sangramento. Caso exista, recomenda-se utilizar uma gaze limpa e fazer compressão suave sobre a área afetada por alguns minutos. É importante evitar bochechos vigorosos, pois isso pode remover coágulos que auxiliam no processo inicial de cicatrização.

Se houver desprendimento de um fragmento do dente, a orientação é recolher o pedaço com cuidado e armazená-lo adequadamente. O ideal é colocá-lo em soro fisiológico ou leite, líquidos que ajudam a manter a hidratação da estrutura dental até a consulta com o dentista. Em alguns casos, dependendo das condições do fragmento e do tempo transcorrido, é possível realizar a colagem ou reconstrução utilizando a parte original.

Outra recomendação importante é evitar mastigar do lado afetado até que o atendimento seja realizado. A preferência deve ser por alimentos frios e de consistência macia. O calor pode intensificar a sensibilidade, especialmente quando há exposição da dentina, camada que fica abaixo do esmalte e possui maior sensibilidade a estímulos térmicos.

O especialista alerta que tentar resolver o problema em casa pode agravar o quadro. O uso de colas instantâneas, substâncias caseiras ou a tentativa de lixar o dente danificado pode comprometer definitivamente a estrutura dental e dificultar intervenções posteriores.

Mesmo na ausência de dor, a fratura não deve ser negligenciada. Pequenas lesões podem permitir a entrada de bactérias, desencadeando inflamação da polpa dentária e evoluindo para infecção. Nesses casos, pode ser necessário realizar tratamento endodôntico, conhecido como tratamento de canal.

“Uma pequena fratura pode permitir a entrada de bactérias e evoluir para infecção da polpa, exigindo tratamento de canal. Em situações mais graves, pode haver comprometimento ósseo e até perda do dente. Nosso foco sempre é preservar a estrutura natural, seja com restaurações, reconstruções ou outros recursos modernos. Quanto mais cedo o paciente procura ajuda, mais conservador tende a ser o tratamento”, finaliza o Dr. Paulo Yanase.

Além do risco clínico, traumas dentários também podem gerar impacto estético e funcional. A perda parcial de um dente interfere na mastigação, na fala e na harmonia do sorriso. Em muitos casos, o atendimento rápido permite soluções menos complexas, como restaurações em resina composta, colagem de fragmentos ou reconstruções estéticas.

Casos mais severos, quando há fratura radicular ou comprometimento extenso da estrutura interna, podem exigir intervenções mais elaboradas, incluindo procedimentos endodônticos, pinos de sustentação e coroas protéticas. Por isso, o diagnóstico precoce é considerado essencial para evitar agravamentos.

Especialistas também reforçam a importância da prevenção, especialmente para pessoas que praticam esportes de contato. O uso de protetores bucais personalizados reduz significativamente o risco de fraturas e deslocamentos dentários. No ambiente doméstico, cuidados simples, como evitar abrir embalagens com os dentes ou morder alimentos excessivamente duros, também contribuem para diminuir acidentes.

Diante de qualquer trauma dental, a recomendação é procurar atendimento odontológico o mais rápido possível, mesmo que não haja dor imediata. A avaliação clínica e, quando necessário, exames radiográficos permitem identificar lesões que não são visíveis externamente, mas que podem comprometer a saúde bucal a médio e longo prazo.

Agir corretamente nos primeiros minutos após a fratura pode ser decisivo para preservar o dente natural e evitar tratamentos mais complexos. Informação adequada e atendimento rápido continuam sendo as principais ferramentas para manter a saúde bucal e prevenir complicações futuras.

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