Foto: Paulo Roberto Martins/RPC
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná confirmou que a comunidade Imbú, na zona rural de Reserva, nos Campos Gerais, foi atingida por um tornado de categoria F2 no domingo (28). Segundo o Simepar, os ventos chegaram a aproximadamente 200 km/h e provocaram danos significativos em residências, veículos e na vegetação da localidade.
Uma das casas atingidas era a residência recém-construída de Vanessa, que morava no imóvel havia três meses com o marido e a filha de sete anos. Durante o fenômeno, ela protegeu a criança com o próprio corpo enquanto o telhado e parte da estrutura da casa eram arrancados pela força do vento.
Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, Vanessa relatou o momento em que percebeu que a casa estava sendo destruída.
“Eu não vi nada; quando caí na real só enxergava o céu, não tinha nada em cima da gente. […] Foi muito rápido. A minha reação foi só pegar a coberta em que a gente estava, cobrir e ficar em cima da minha filha, porque a gente não tinha como fugir dali. Foi muito questão de segundos, e levou tudo”, disse Vanessa.
A moradora sofreu ferimentos leves. Ela levou um ponto na cabeça, três na perna e teve alguns arranhões. A filha não ficou ferida. Apesar da perda da casa, Vanessa afirmou que a prioridade foi a preservação da vida da família.
Ao comentar a situação após o tornado, Vanessa falou sobre a necessidade de reconstrução da residência e sobre o impacto de perder o imóvel pouco tempo depois da mudança.
“Futuramente vamos levantar de novo uma outra casa pra gente. Deus deu uma vez, ele vai dar de novo. […] É um sonho de uma vida que a gente estava ali construindo durante um ano, e daqui a pouco fica sem nada. Mas o mais importante é que Deus preservou a nossa vida: a minha família está intacta, meus vizinhos aqui, apesar de todos os estragos, estamos todos bem”, afirmou.
De acordo com a Prefeitura de Reserva, 11 casas tiveram danos significativos na comunidade. Pelo menos 50 pessoas foram afetadas, sendo que 10 ficaram desalojadas e precisaram ir para casas de parentes ou amigos. Um morador teve ferimentos leves. Veículos e áreas de vegetação também foram danificados pelo vento e pelo granizo.
O tornado atingiu a comunidade Imbú, que abriga cerca de 130 moradores. No mesmo dia, várias regiões do Paraná registraram fortes rajadas de vento, chuva intensa e queda de granizo.
Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar, a vistoria técnica identificou características compatíveis com a passagem de um tornado. A avaliação considerou danos em árvores, estruturas e objetos arremessados pela força do vento.
“O levantamento preliminar identificou várias assinaturas características de um tornado. Encontramos árvores de grande porte arrancadas pela raiz, copas de araucárias completamente destruídas e destroços espalhados em diferentes direções, o que evidencia o movimento de rotação do vento. Também registramos galhos arremessados por dezenas de metros e uma placa de sinalização lançada a mais de 150 metros”, explicou Reinaldo Kneib.
A análise do Simepar também levou em conta o padrão de destruição observado no local. Em fenômenos como microexplosões atmosféricas ou rajadas intensas de vento, os destroços geralmente seguem uma mesma direção. No caso dos tornados, os danos costumam apresentar sinais de rotação, característica registrada pelos especialistas durante a inspeção.
No Brasil, o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para classificar tornados com base nos danos provocados. A categoria F2 corresponde a ventos entre 180 km/h e 253 km/h, capazes de causar danos consideráveis, como destelhamentos, destruição parcial de edificações, árvores arrancadas pela raiz e objetos lançados a grandes distâncias.
A escala começa em F0, com ventos entre 65 km/h e 116 km/h e danos leves. A categoria F1 indica ventos entre 116 km/h e 180 km/h, com danos moderados. A F2 corresponde a danos consideráveis. A F3 inclui ventos entre 253 km/h e 332 km/h, com danos severos. A F4 vai de 332 km/h a 418 km/h, com danos devastadores. A F5 representa ventos entre 418 km/h e 511 km/h, com destruição extrema.
Entre o fim de 2025 e o começo de 2026, cinco tornados foram registrados no Paraná. Os fenômenos ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava, Turvo, Mercedes e São José dos Pinhais.
No início de novembro de 2025, Rio Bonito do Iguaçu, na região central do estado, teve 90% dos imóveis destruídos por um tornado F3, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h. No mesmo dia, Guarapuava e Turvo também registraram estragos significativos. Nesses dois municípios, os tornados foram classificados como F2, com ventos entre 200 km/h e 250 km/h.
Em 2 de janeiro, um tornado com ventos de até 120 km/h foi registrado em Mercedes, no oeste do Paraná. O fenômeno foi classificado como F1. Em São José dos Pinhais, o tornado recebeu classificação F2, com ventos de até 180 km/h e percurso de aproximadamente um quilômetro, sem tocar o solo durante todo o trajeto, segundo o Simepar.
Especialistas em climatologia apontam que o Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no mundo. O estado integra o segundo maior corredor de tornados do planeta, atrás apenas das pradarias centrais dos Estados Unidos.
A professora Karin Linete Hornes, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, explicou que a área de maior risco inclui também Santa Catarina, Rio Grande do Sul e partes do Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia. Segundo ela, a combinação de diferentes sistemas atmosféricos favorece a formação de tempestades severas.
“Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados. Claro que, além de tornados, nós também temos vendavais e chuva de granizo, que estão associados a esses eventos de tempestade severa”, detalhou Karin Linete Hornes.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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