Escavação revela centro de produção têxtil viking com mais de mil anos na Dinamarca

Escavação revela centro de produção têxtil viking com mais de mil anos na Dinamarca

Arqueólogos descobriram no leste da península da Jutlândia, na Dinamarca, os vestígios de um centro de produção têxtil da Era Viking com mais de mil anos. A dimensão das estruturas e a quantidade de instrumentos encontrados indicam que o local não atendia apenas às necessidades dos moradores da região, mas poderia integrar uma rede comercial mais ampla.

As escavações revelaram mais de 80 pequenas construções subterrâneas. No interior dessas estruturas, os pesquisadores localizaram fusos e pesos utilizados em teares, objetos diretamente relacionados à fabricação de fios e tecidos.

Também foi identificada uma área que pode ter sido usada no processamento do linho, uma das matérias-primas empregadas na produção de roupas e outros artigos têxteis durante o período viking. A concentração de equipamentos levou os especialistas a considerar que o assentamento possuía uma atividade produtiva especializada.

Segundo a arqueóloga Liv Stidsing Reher-Langberg, do Museu Moesgaard, o conjunto apresenta características diferentes das observadas em outros assentamentos da mesma época.

“Temos um foco claro na produção têxtil, o que torna este assentamento diferente de outros assentamentos desse período”, afirmou a pesquisadora.

Além dos instrumentos ligados à tecelagem, as equipes encontraram moedas de prata, contas de vidro e fragmentos de cerâmica. Os materiais deverão ajudar a reconstruir o cotidiano dos habitantes e a compreender as relações comerciais mantidas pelo assentamento.

Os pesquisadores também pretendem utilizar análises de pólen para identificar quais espécies vegetais eram cultivadas ou processadas no local. A datação por carbono será empregada para estabelecer com maior precisão o período em que as estruturas permaneceram em funcionamento.

Uma das construções encontradas se destaca das demais e pode ter servido como residência de uma pessoa encarregada de controlar os recursos e supervisionar a produção. Essa interpretação sugere que as atividades têxteis eram organizadas e possivelmente submetidas a algum tipo de administração.

Escavação revela centro de produção têxtil viking com mais de mil anos na Dinamarca
Foto: Museu Moesgaard

A quantidade de estruturas destinadas ao trabalho indica a participação de um número elevado de pessoas. Os pesquisadores avaliam que a fabricação dos tecidos poderia envolver diferentes etapas, desde a preparação das fibras vegetais até a produção dos fios e a utilização dos teares.

Parte dos artigos confeccionados provavelmente era enviada para Aros, importante centro comercial viking localizado aproximadamente dez quilômetros ao sul. A antiga Aros corresponde à atual cidade dinamarquesa de Aarhus.

Durante a Era Viking, Aros ocupava uma posição estratégica nas rotas comerciais do norte da Europa. A proximidade entre o assentamento recém-descoberto e esse centro urbano reforça a hipótese de que os tecidos eram produzidos para circulação em mercados mais distantes.

O historiador Kasper Andersen, também ligado ao Museu Moesgaard, considera improvável que uma estrutura produtiva dessa dimensão estivesse voltada exclusivamente para o consumo das comunidades próximas.

“Quando se tem um local de produção desta escala, não pode ser atribuído apenas à área local”, explicou Andersen.

Para o historiador, o assentamento precisa ser analisado como parte de uma rede econômica que ultrapassava os limites regionais.

“É preciso compreendê-lo como parte de uma rede maior, uma perspectiva internacional muito mais ampla”, afirmou.

A descoberta poderá ampliar o conhecimento sobre a economia da sociedade viking e sobre o papel da produção têxtil naquele período. Embora os vikings sejam frequentemente associados às navegações, às guerras e à expansão territorial, a fabricação de tecidos era uma atividade essencial para a vida cotidiana e para o comércio.

Os tecidos eram utilizados na confecção de roupas, cobertores, sacos, velas de embarcações e outros produtos. A fabricação exigia conhecimento técnico, disponibilidade de matéria-prima e uma extensa quantidade de trabalho, especialmente nas etapas de preparação das fibras e tecelagem.

Os próximos estudos deverão determinar por quanto tempo o centro permaneceu ativo e quais produtos eram fabricados. As análises também poderão esclarecer se os trabalhadores viviam no próprio assentamento ou se se deslocavam de comunidades próximas para participar da produção.

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