A expansão dos robôs humanoides na China levou o Morgan Stanley a revisar, pela segunda vez no ano, sua estimativa para o volume de unidades enviadas ao mercado em 2026. O banco de investimento agora projeta cerca de 50 mil robôs, quase o dobro da previsão anterior de 28 mil, diante do avanço da produção e das primeiras aplicações comerciais em maior escala.
A avaliação aponta que o setor está deixando a fase concentrada em demonstrações, protótipos e apresentações públicas para entrar em ambientes de trabalho. Fábricas, lojas automatizadas e serviços de atendimento estão entre os espaços nos quais as empresas chinesas começaram a testar ou utilizar esses equipamentos.
O movimento reúne fabricantes locais, empresas de componentes, políticas públicas e uma cadeia industrial capaz de produzir peças e sistemas em volume. Embora as projeções indiquem crescimento acelerado, a adoção ainda se encontra em uma etapa inicial e depende da capacidade dos robôs de executar tarefas de forma segura, estável e economicamente viável.
Previsão para 2026 mais que triplicou desde o início do ano
A primeira estimativa do Morgan Stanley apontava que a China poderia enviar aproximadamente 14 mil robôs humanoides ao mercado em 2026. O número foi posteriormente ampliado para 28 mil unidades e, na revisão mais recente, chegou a 50 mil.
A nova projeção considera apenas equipamentos destinados a clientes externos. Protótipos, unidades de demonstração, testes, encomendas preliminares e robôs produzidos para uso interno das próprias fabricantes não entram no cálculo.
Segundo o relatório, o mercado chinês de robôs humanoides poderá movimentar cerca de US$ 2 bilhões em 2026. Para 2030, a estimativa sobe para US$ 15 bilhões, com remessas anuais próximas de 446 mil unidades.
Esses valores representam projeções baseadas no ritmo atual da indústria, nas encomendas anunciadas e nos planos de produção das empresas. O resultado efetivo dependerá da procura, da redução dos custos, da evolução dos sistemas de inteligência artificial e da capacidade de transformar testes em operações permanentes.
O aumento das previsões também mostra a dificuldade de medir um setor que muda rapidamente. Em poucos meses, fabricantes apresentaram novos modelos, ampliaram linhas de montagem e anunciaram projetos destinados a ambientes industriais e comerciais.

Robôs começam a atuar fora das apresentações públicas
Durante os últimos anos, parte dos robôs humanoides ficou conhecida por demonstrações de caminhada, corrida, dança e manipulação de objetos. Essas atividades serviam principalmente para apresentar avanços em equilíbrio, coordenação e controle de movimentos.
A etapa atual busca transformar essas capacidades em tarefas úteis. Em linhas de produção, os equipamentos podem ser testados no transporte de peças, abastecimento de estações, inspeções e atividades repetitivas realizadas em espaços projetados originalmente para trabalhadores humanos.
O formato humanoide permite que os robôs utilizem corredores, ferramentas, prateleiras e equipamentos já existentes. Essa característica pode reduzir a necessidade de modificar completamente uma fábrica ou estabelecimento comercial para receber sistemas automatizados.
Também existem experiências em lojas sem funcionários, restaurantes e atendimentos interativos. Nessas situações, os robôs podem apresentar produtos, fornecer orientações ou executar ações simples, ainda sob supervisão e dentro de condições controladas.
A passagem das demonstrações para o uso cotidiano continua sendo um dos principais desafios. Caminhar em um palco ou executar uma sequência previamente treinada é diferente de responder a imprevistos, trabalhar durante muitas horas e circular com segurança entre pessoas.
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Apoio público fortalece fabricantes e fornecedores
O avanço da robótica humanoide faz parte da estratégia chinesa de integrar inteligência artificial a equipamentos capazes de atuar no mundo físico. Esse campo costuma ser chamado de inteligência incorporada ou inteligência artificial física.
Governos locais têm apoiado empresas com subsídios, crédito, espaços para instalação e acesso a ambientes de teste. As medidas buscam acelerar o desenvolvimento de modelos, ampliar a produção e criar aplicações capazes de gerar demanda.
A cadeia de suprimentos representa outra vantagem. A China reúne fabricantes de motores, sensores, baterias, redutores, peças eletrônicas e componentes utilizados na estrutura e nos movimentos dos robôs.
O crescimento dessas empresas pode reduzir custos e facilitar a produção em série. O Morgan Stanley também destacou uma fabricante chinesa de componentes como possível beneficiária da expansão, diante de contratos firmados com companhias do setor e da perspectiva de participação nas cadeias globais.
A presença de fornecedores próximos permite corrigir projetos, substituir peças e testar alterações com maior velocidade. Esse processo pode ajudar as fabricantes a lançar novas versões em intervalos menores e acumular dados obtidos em situações reais.
O apoio estatal, no entanto, não elimina a necessidade de viabilidade comercial. As empresas ainda precisam demonstrar que os equipamentos podem cumprir tarefas com regularidade e gerar economia suficiente para justificar a aquisição, a manutenção e o treinamento.

Empresas chinesas ampliam produção e presença internacional
A China já ocupava posição de destaque nas remessas globais de robôs humanoides em 2025. Aproximadamente 13 mil unidades foram enviadas ao mercado mundial naquele ano, com fabricantes chinesas liderando o volume.
A expansão não está limitada ao mercado interno. Uma empresa chinesa de robótica listada em Hong Kong informou que passou a atuar em mais de 65 países desde 2021 e obteve cerca de 18% de sua receita no exterior no último ano.
A diversificação geográfica pode ampliar o número de clientes e reduzir a dependência do mercado doméstico. Ao mesmo tempo, aumenta a exposição das companhias a tarifas, restrições comerciais, normas de segurança e disputas entre países.
Executivos do setor reconhecem que as tensões comerciais representam um risco para a expansão internacional. Robôs humanoides dependem de componentes, programas e tecnologias que podem ser afetados por controles de exportação ou barreiras regulatórias.
Concorrentes de outros países também desenvolvem equipamentos semelhantes, mas algumas empresas globais projetam iniciar vendas públicas em maior escala apenas nos próximos anos. Enquanto isso, fabricantes chinesas buscam ocupar espaço por meio de preços, volume de produção e disponibilidade de modelos.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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