A redução das temperaturas exige maior esforço do organismo para manter o equilíbrio térmico e pode aumentar o risco de infarto e acidente vascular cerebral, especialmente entre idosos e pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes ou outros fatores de risco.
Estimativa do Instituto Nacional de Cardiologia aponta que os casos de infarto podem crescer até 30% durante períodos de frio, principalmente quando as temperaturas ficam abaixo de 14°C. Pessoas com idade entre 75 e 84 anos e pacientes com doenças cardíacas estão entre os grupos mais vulneráveis. As ocorrências de acidente vascular cerebral podem aumentar até 20%.
A baixa temperatura não é considerada causa direta desses episódios, mas pode contribuir para a descompensação de condições preexistentes. O cardiologista Fernando Ribas, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explicou que o organismo reage ao frio por meio da vasoconstrição, processo no qual os vasos sanguíneos se contraem para reduzir a perda de calor.
Ao detalhar a reação do corpo às baixas temperaturas, Ribas afirmou: “O frio libera um pouco mais de mediadores para controlar melhor a temperatura do corpo. Liberamos mais adrenalina no sangue, hormônios relacionados ao estresse, até para aumentarmos a taxa de metabolismo e compensar essa redução”.
A contração dos vasos pode elevar a pressão arterial e aumentar o esforço necessário para o coração bombear o sangue. Em pessoas que já possuem fatores de risco cardiovascular, essa reação pode favorecer complicações.
Sobre os riscos para pacientes com doenças cardiovasculares, o cardiologista declarou: “Se o paciente tem risco cardiovascular, o estresse que vem da adrenalina pode desencadear uma instabilização de uma placa de aterosclerose, por exemplo, e provocar um infarto ou AVC”.
A aterosclerose é caracterizada pelo acúmulo de gordura e outras substâncias nas paredes das artérias. A ruptura ou instabilidade dessas placas pode levar à formação de coágulos e interromper a circulação sanguínea em regiões do coração ou do cérebro.
A microempresária Rosângela Gusmão, de 65 anos, sofreu um infarto após o entupimento de uma artéria do coração provocado por um coágulo. Ela desconhecia a existência do problema e não apresentava sintomas antes do episódio.
Rosângela mantinha alimentação acompanhada por nutricionista e praticava pilates e musculação cinco vezes por semana. Ela não tinha diagnóstico de hipertensão nem de outra comorbidade associada ao risco de infarto.
O episódio ocorreu na manhã de 10 de junho de 2025, quando a temperatura mínima na cidade de São Paulo ficou próxima de 14°C e a máxima não alcançou 20°C. Naquele período, o município registrava a passagem de massas de ar polar e sucessivos dias de frio.
A microempresária contou que sentiu uma dor súbita no lado esquerdo do peito, acompanhada de falta de ar e enjoo. Ao descrever a evolução dos sintomas, Rosângela relatou: “Em menos de 10 minutos, eu já sentia uma forte queimação na região do coração. A dor irradiou para o braço e a escápula do lado esquerdo”.
Ela foi levada ao hospital por um vizinho e recebeu o diagnóstico de infarto durante o atendimento de emergência. Após passar por uma angioplastia, com o implante de dois stents, e realizar dois meses de reabilitação cardiopulmonar, retomou as atividades habituais.
Ao comentar as mudanças após o episódio, Rosângela afirmou: “Fiquei mais vulnerável e mais atenta aos sinais que o corpo dá”.
As baixas temperaturas também podem interferir no controle da hipertensão e do diabetes. A maior liberação de adrenalina pode provocar alterações na pressão arterial e nos níveis de glicose no sangue.
Fernando Ribas explicou que a adrenalina participa dos mecanismos utilizados pelo organismo para disponibilizar energia às células. Em pessoas com diabetes sem controle adequado, esse processo pode aumentar a glicemia.
Ao abordar essa relação, o médico afirmou: “A adrenalina é um hormônio contrarregulador no metabolismo do diabetes. A liberação de mais glicose acontece para oferecer mais energia para as células. Se o paciente tem um controle ruim, pode descompensar”.
Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde indicam que o Brasil registrou aproximadamente 398 mil mortes por doenças do aparelho circulatório em 2024. Entre as condições incluídas estão hipertensão, arritmias e infarto.
A taxa chegou a 187,5 mortes por 100 mil habitantes, o segundo maior resultado dos últimos 23 anos. O índice ficou abaixo apenas do registrado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando foram contabilizados 189,8 óbitos por 100 mil habitantes.
As informações estão disponíveis no Observatório da Saúde Pública da Umane, organização que apoia iniciativas relacionadas à saúde pública no país.
Para reduzir os riscos cardiovasculares, Ribas orienta a manutenção de hábitos saudáveis durante todo o ano. As recomendações incluem dormir o suficiente para assegurar o descanso, procurar controlar o estresse, praticar atividades físicas de três a cinco vezes por semana e manter uma alimentação equilibrada.
Ao explicar como organizar a alimentação, o cardiologista orientou: “O ideal é ter pelo menos 70%, 80% das refeições semanais baseadas em legumes, saladas, carnes magras e carboidratos integrais. Nos lanches, prefira frutas, alimentos naturais, não condimentados e industrializados”.
O acompanhamento de indicadores de saúde também é recomendado, principalmente para pessoas com mais de 40 anos ou que apresentem fatores de risco. Entre as avaliações estão a medição da pressão arterial e exames para verificar colesterol, glicose, função renal e hemograma.
Sobre a frequência dos exames, Ribas declarou: “Em pacientes muito jovens, sem comorbidades, não vejo necessidade de fazer exame todo ano. Aqueles que passam dos 40 anos é interessante, sim, porque nosso organismo começa a ter uma maior facilidade de descompensação de colesterol, de glicose”.
Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea, fraqueza repentina, dificuldade para falar e perda de força em um dos lados do corpo exigem avaliação médica imediata. A procura rápida por atendimento aumenta as possibilidades de diagnóstico e tratamento adequado.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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