O percentual de famílias endividadas no Brasil chegou a 80,9% em abril de 2026, o maior patamar registrado na série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado representa o quarto recorde consecutivo e indica que o crescimento das dívidas alcança famílias de todas as faixas de renda.
O cenário amplia a importância de iniciativas destinadas à organização do orçamento, ao planejamento financeiro e à tomada de decisões mais conscientes. Entre as ações desenvolvidas no país está a Semana Nacional de Educação Financeira, que mobilizou instituições públicas e privadas durante o mês de maio.
Nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, atividades promovidas pelo Sicredi alcançaram mais de 300 mil pessoas. A programação foi organizada por 30 cooperativas de crédito e investimento, com palestras, oficinas e materiais educativos voltados a colaboradores, associados e integrantes das comunidades atendidas.
Endividamento alcança maior percentual da série da CNC
O índice de 80,9% registrado em abril evidencia que o endividamento passou a fazer parte da realidade da maioria das famílias brasileiras. Conforme os dados apresentados pela CNC, o aumento não ficou restrito a um grupo específico, mas atingiu diferentes níveis de renda.
O avanço das dívidas reforça a necessidade de ampliar o acesso a informações sobre orçamento doméstico, consumo, planejamento e formação de reservas financeiras. A educação financeira busca fornecer instrumentos para que as pessoas compreendam melhor a própria renda, organizem despesas e avaliem com mais cuidado as decisões relacionadas ao dinheiro.
Esse tipo de orientação também pode ajudar na identificação de hábitos que comprometem o orçamento. Compras não planejadas, falta de acompanhamento das despesas e decisões influenciadas por fatores emocionais podem dificultar o equilíbrio financeiro, especialmente em períodos de maior comprometimento da renda.
O assessor de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi PR/SP/RJ, Altair Carrara, afirmou que os dados sobre endividamento demonstram a necessidade de tornar o conhecimento financeiro mais acessível à população.
“Os números do endividamento mostram que a educação financeira é cada vez mais necessária na vida das pessoas. Quando ampliamos o acesso à informação e ao conhecimento, contribuímos para que as famílias possam tomar decisões mais conscientes, planejar melhor o futuro e construir uma relação mais equilibrada com o dinheiro”, declarou.
Semana ENEF promoveu atividades em todo o país
A 13ª edição da Semana Nacional de Educação Financeira, conhecida como Semana ENEF, ocorreu entre os dias 18 e 24 de maio. A programação teve como tema “Educação Financeira: construindo um futuro com longevidade e prosperidade”.
A mobilização reuniu organizações públicas e privadas de diferentes regiões brasileiras. As atividades tiveram como objetivo incentivar o planejamento financeiro, o hábito de poupar e a avaliação consciente das escolhas que envolvem o uso do dinheiro.
No Paraná, em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Sicredi realizou mais de duas mil ações durante o período. As iniciativas foram conduzidas pelas cooperativas que integram a Central Sicredi PR/SP/RJ e chegaram a mais de 300 mil participantes.
A programação incluiu palestras, oficinas e conteúdos educativos. Os materiais foram direcionados a públicos diversos, com abordagens adaptadas a colaboradores, associados, estudantes, famílias e moradores das comunidades onde as cooperativas atuam.
Economia comportamental foi abordada em conteúdos de rádio
Entre as iniciativas realizadas durante a Semana ENEF estiveram spots de rádio elaborados em parceria com a especialista em comportamento humano e neurociência Michele Mueller. Os conteúdos apresentaram conceitos relacionados à economia comportamental em linguagem acessível.
A economia comportamental analisa fatores que interferem nas escolhas financeiras cotidianas. A abordagem considera que decisões sobre dinheiro nem sempre são tomadas apenas com base em cálculos objetivos, pois também podem ser influenciadas por hábitos, emoções e comportamentos repetidos.
Os conteúdos produzidos para o rádio buscaram explicar algumas dessas influências e apresentar caminhos para a mudança de práticas que dificultam uma administração mais saudável dos recursos. A proposta foi aproximar o tema da rotina das famílias, relacionando os conceitos a situações comuns de consumo e planejamento.
Ao tratar desses fatores de forma simples, as ações procuram ampliar a compreensão sobre a maneira como pequenas escolhas podem afetar o orçamento. O acompanhamento frequente das receitas e despesas, por exemplo, permite identificar gastos e organizar prioridades com maior clareza.
Programas levam educação financeira às escolas
Embora as atividades tenham sido intensificadas durante a Semana ENEF, o Sicredi mantém projetos de educação financeira ao longo de todo o ano. As iniciativas são voltadas à construção de uma relação mais consciente com o dinheiro e à promoção do bem-estar financeiro nas comunidades.
Um dos projetos é o Finanças na Mochila, desenvolvido em escolas para apresentar conteúdos sobre orçamento, planejamento e consumo consciente. A iniciativa busca aproximar esses assuntos da realidade dos estudantes, permitindo que o aprendizado seja aplicado em situações cotidianas.
Outro programa mantido pela instituição é o Cooperativas Escolares. A proposta trabalha competências como liderança, protagonismo, cooperação e atuação em equipe entre crianças e adolescentes.
A formação financeira durante a infância e a adolescência permite que conceitos relacionados ao dinheiro sejam apresentados antes da vida adulta. O objetivo não é apenas ensinar cálculos, mas contribuir para que os estudantes compreendam a importância de estabelecer prioridades, avaliar escolhas e utilizar recursos de forma responsável.
Turma da Mônica integra ações educativas
O Sicredi também mantém uma parceria com a Mauricio de Sousa Produções para abordar a educação financeira por meio do universo da Turma da Mônica. A iniciativa utiliza gibis e atividades educativas para apresentar conceitos relacionados ao planejamento e ao consumo consciente.
Os materiais procuram envolver crianças e familiares em reflexões sobre o uso responsável do dinheiro. A utilização de personagens conhecidos permite tratar o assunto de maneira adequada ao público infantil, sem retirar a importância dos temas apresentados.
As atividades incluem orientações sobre organização, escolhas de consumo e planejamento. A proposta é estimular o diálogo dentro das famílias e ajudar crianças e adultos a compreenderem os efeitos das decisões financeiras no orçamento.
Outros conteúdos relacionados à economia, comportamento e qualidade de vida podem ser acompanhados na página principal do Jornal da Fronteira.
Com o endividamento das famílias no maior nível da série histórica da CNC, a ampliação de ações educativas ganha relevância. A continuidade dos projetos ao longo do ano permite que informações sobre planejamento, consumo consciente e organização financeira cheguem a diferentes públicos e sejam incorporadas gradualmente à rotina das comunidades.

Com mais de 20 anos de atuação na área do jornalismo, Luiz Veroneze é especialista na produção de conteúdo local e regional, com ênfase em assuntos relacionados à economia e política. Também escreve sobre arqueologia, curiosidades, livros e variedades.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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