O início do inverno, marcado pelo solstício de 21 de junho, traz mudanças de temperatura, umidade e circulação atmosférica que afetam diretamente a saúde. Em regiões como o Estado de São Paulo, a estação costuma apresentar menos chuva, ar mais seco e maior concentração de poluentes próximos à superfície.
As condições favorecem o ressecamento das mucosas e podem agravar problemas respiratórios. O professor Ricardo de Camargo, do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, explica que a umidade relativa do ar pode cair para níveis inferiores a 30% durante o período.
Essa redução provoca desconforto principalmente entre pessoas que já apresentam alguma dificuldade respiratória. Além do ar seco, o frio aumenta a permanência em ambientes fechados, condição que facilita a transmissão de vírus e bactérias.
A professora Luisa Karla de Paula Arruda, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, afirma que o inverno registra aumento de infecções respiratórias virais e bacterianas. Entre os agentes citados estão Influenza, rinovírus, vírus respiratório sincicial e pneumococo.
Frentes frias determinam chuva e queda das temperaturas
O inverno é normalmente uma estação mais seca no clima paulista. A ocorrência de chuva depende principalmente da passagem e da organização das frentes frias, que podem provocar precipitações por vários dias quando avançam com maior frequência ou intensidade.
Camargo observa que o período também pode apresentar grande variação térmica. Em dias de céu limpo, a temperatura pode se aproximar dos 30°C durante a tarde, mas cair de forma acentuada à noite.
Isso acontece porque a ausência de nuvens favorece o aquecimento durante o dia e a rápida perda de calor após o pôr do sol. Como resultado, a temperatura média pode permanecer mais baixa apesar das tardes quentes.
As frentes frias estão associadas principalmente à atuação de ciclones extratropicais. Esses sistemas ajudam a redistribuir energia na atmosfera, deslocando ar frio para regiões mais aquecidas e ar quente para áreas de temperaturas inferiores.
Quando a massa de ar frio percorre uma trajetória sobre o oceano, absorve umidade da superfície marítima. Ao alcançar o continente, pode manter o céu encoberto e provocar períodos mais prolongados de nebulosidade e chuva.
A frequência e a persistência dessas frentes dependem de diferentes fenômenos atmosféricos. Entre eles está a oscilação antártica, também conhecida como Modo Anular Sul, que influencia a posição dos ciclones e o deslocamento das massas de ar.
El Niño pode ter efeitos mais fortes nos próximos meses
O comportamento do inverno também pode ser influenciado pelo El Niño, fenômeno relacionado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. Seus efeitos alcançam regiões distantes do oceano e alteram padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
Conforme a avaliação apresentada por Camargo, os sinais iniciais do fenômeno ainda não seriam suficientes para provocar impactos intensos no Brasil durante a primeira parte do inverno. A influência tende a se tornar mais perceptível no fim da estação e durante a primavera.
Caso o El Niño se consolide, a tendência apontada é de chuvas acima da média na Região Sul e precipitações abaixo do normal em partes do Norte e do Nordeste. Os efeitos também podem continuar durante o verão.
A intensidade e a distribuição dessas mudanças dependem da evolução do aquecimento no Pacífico. Por esse motivo, os índices oceânicos e atmosféricos precisam ser acompanhados ao longo dos próximos meses.
Previsões climáticas sazonais indicam tendências gerais e não permitem determinar com precisão o tempo de cada dia. A chegada de frentes frias, bloqueios atmosféricos e outros sistemas pode modificar temporariamente o comportamento esperado.
Inversão térmica prejudica a dispersão de poluentes
Outro fenômeno recorrente durante o inverno é a inversão térmica. Em condições normais, a temperatura do ar diminui conforme aumenta a distância em relação ao solo. Durante a inversão, uma camada de ar mais quente permanece acima do ar frio acumulado próximo à superfície.
Essa configuração reduz a circulação vertical do ar e dificulta a dispersão de poluentes. Gases e partículas produzidos principalmente por veículos, indústrias e queima de combustíveis permanecem concentrados nas áreas mais baixas.
A camada pode ser observada de locais elevados, como o Pico do Jaraguá, ou durante pousos e decolagens de aviões. Sua aparência está relacionada à presença de material particulado suspenso.
A combinação de baixa umidade e poluição pode irritar as vias respiratórias e agravar doenças preexistentes. Pessoas com asma, rinite e doença pulmonar obstrutiva crônica estão entre as mais suscetíveis aos efeitos.
Crianças pequenas, idosos, gestantes e indivíduos com deficiência no sistema imunológico também apresentam maior risco de complicações. Para esses grupos, sintomas persistentes ou agravamento do quadro exigem avaliação profissional.
Asma e rinite podem se agravar durante a estação
A asma é uma doença inflamatória crônica que atinge os brônquios. A inflamação das paredes e a contração dos músculos das vias respiratórias dificultam a passagem de ar e podem causar falta de ar, tosse, chiado e sensação de aperto no peito.
Segundo Luisa Karla, vírus como Influenza, rinovírus e vírus respiratório sincicial estão entre os principais responsáveis por desencadear crises de asma durante o inverno. Embora a doença seja mais frequentemente identificada na infância ou adolescência, também pode surgir na vida adulta.
A rinite provoca inflamação da mucosa nasal e pode causar espirros, coceira, coriza e congestão. Ela pode ter origem alérgica ou estar associada a infecções virais.
Pacientes com rinite alérgica podem apresentar sintomas mais intensos e prolongados quando contraem vírus respiratórios. Sem controle adequado, também aumenta o risco de complicações, como a sinusite aguda.
Mudanças bruscas de temperatura, frio e exposição a poluentes contribuem para o agravamento dos sintomas. Pessoas diagnosticadas devem manter acompanhamento médico e seguir corretamente o tratamento prescrito.
Vacinação e ventilação ajudam a reduzir os riscos
A vacinação anual contra a Influenza está entre as principais medidas de prevenção. Pessoas com doenças respiratórias crônicas também devem buscar orientação sobre a imunização contra o pneumococo.
Idosos, gestantes e outros grupos contemplados nas recomendações de saúde precisam verificar a indicação da vacina contra o vírus respiratório sincicial. O calendário e os públicos atendidos podem variar conforme as orientações das autoridades sanitárias.
Manter os ambientes ventilados, evitar aglomerações sempre que possível e reduzir o contato com fumaça de cigarro também ajudam a proteger as vias respiratórias. A higienização frequente das mãos diminui a possibilidade de transmissão por superfícies contaminadas.
O uso de máscara pode ser considerado em transportes coletivos, hospitais, postos de saúde e outros espaços fechados com maior circulação de pessoas. Indivíduos com sintomas respiratórios devem evitar contato próximo com pessoas vulneráveis.
Hidratação, alimentação adequada, prática regular de atividade física e sono de qualidade contribuem para o funcionamento do organismo. Essas medidas, no entanto, não substituem vacinação, tratamento médico ou avaliação diante de sintomas mais graves.
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As características do inverno exigem atenção tanto às mudanças meteorológicas quanto aos efeitos sobre a saúde. O acompanhamento das previsões, o controle de doenças crônicas e a adoção de medidas preventivas podem reduzir os riscos associados ao frio, ao ar seco e à maior circulação de agentes infecciosos.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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