Um mosaico produzido há aproximadamente 1.700 anos foi descoberto no sítio arqueológico de Aspendos, no sul da Turquia. A obra, datada do século III d.C., representa uma divindade fluvial conhecida como Jovem Eurimedonte, figura associada ao rio que corria nas proximidades da antiga cidade. O achado amplia o conhecimento sobre a produção artística e as crenças presentes na Anatólia durante o período romano.
A imagem foi identificada durante trabalhos arqueológicos realizados em uma estrutura situada na Rua do Teatro, via que conectava a acrópole de Aspendos ao teatro da cidade. Conforme as informações divulgadas pelo jornal Türkiye Today, o local pode ter abrigado uma grande piscina na Antiguidade.
Mosaico romano representa o Jovem Eurimedonte
A figura central do mosaico é o Jovem Eurimedonte, personificação do rio de mesmo nome. Na obra, a divindade aparece usando folhas de junco sobre a cabeça, elemento diretamente relacionado à vegetação encontrada nas margens de rios e áreas alagadas.
O personagem também segura folhas de junco em uma das mãos e se apoia sobre uma ânfora. Do recipiente, a água é representada jorrando de forma contínua. Ao redor da figura, peixes aparecem nadando, reforçando a relação da cena com a fertilidade, o abastecimento e a manutenção da vida.
A composição utiliza símbolos ligados à água para representar a importância do rio Eurimedonte para Aspendos. Na sociedade antiga, rios podiam ser retratados como seres divinos ou figuras humanas, especialmente em regiões onde esses cursos de água eram fundamentais para a agricultura, o comércio e o desenvolvimento urbano.
Rio Eurimedonte tinha importância para Aspendos
O rio Eurimedonte corria próximo à cidade e fazia parte da paisagem que sustentava a população local. A representação da divindade no mosaico demonstra que o curso de água ocupava não apenas uma função prática, mas também um lugar relevante nas crenças e na identidade cultural da comunidade.
A presença da ânfora derramando água, dos peixes e das folhas de junco forma uma imagem associada à prosperidade. Esses elementos indicam que o rio era compreendido como fonte de fertilidade e de recursos necessários à vida cotidiana.
A descoberta também mostra como os artistas do período romano utilizavam figuras mitológicas para representar características naturais de uma determinada região. Em vez de apresentar apenas o rio, a obra atribui a ele uma aparência humana e uma identidade própria.

Estrutura pode ter funcionado como uma piscina
O mosaico foi encontrado em uma construção que pode ter sido utilizada como piscina. A estrutura possui aproximadamente 24 metros de comprimento e seis metros de largura, dimensões que indicam a existência de um espaço amplo dentro da antiga cidade.
O local fica na chamada Rua do Teatro, trajeto que estabelecia uma ligação entre a acrópole e o teatro de Aspendos. A posição da estrutura sugere que ela fazia parte de uma área urbana importante e frequentada pelos habitantes da cidade.
A função exata do espaço ainda depende das análises realizadas pelos arqueólogos. No entanto, a presença do mosaico com temática fluvial dentro de uma possível piscina estabelece uma relação direta entre a decoração e o uso do ambiente.
Terremoto pode ter modificado a construção
Os pesquisadores acreditam que a estrutura tenha passado por alterações depois de um terremoto registrado na região em 262 d.C. Após o abalo, o espaço teria sido dividido por paredes internas, modificando a configuração original da construção.
Essa hipótese ajuda a compreender as diferentes fases de uso do local. Construções romanas frequentemente recebiam adaptações ao longo do tempo, especialmente após terremotos, mudanças econômicas ou transformações na organização das cidades.
A identificação dessas alterações permite aos especialistas reconstruir parte da história do edifício. Além da decoração artística, as paredes, os pisos e as intervenções feitas na estrutura fornecem informações sobre os acontecimentos que afetaram Aspendos no século III.
Descoberta contribui para o estudo da arte romana na Anatólia
O ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Nuri Ersoy, afirmou que o achado revela a riqueza artística de Aspendos e oferece informações científicas relevantes sobre a arte do mosaico desenvolvida na Anatólia durante o domínio romano.
Segundo Ersoy, a importância da descoberta não está restrita ao valor estético da obra. O mosaico pode contribuir para pesquisas sobre técnicas artísticas, símbolos religiosos e formas de representação utilizadas naquela região.
A preservação dos detalhes da cena também permite analisar como os artistas combinavam elementos naturais e mitológicos. A obra apresenta uma narrativa visual organizada em torno da água e de sua função como fonte de fertilidade.
Aspendos preserva importantes vestígios da Antiguidade
O sítio arqueológico de Aspendos reúne construções e vestígios relacionados à ocupação antiga da região. A descoberta do mosaico acrescenta um novo elemento ao conjunto de informações disponíveis sobre a cidade durante o período romano.
O achado ajuda a compreender como espaços urbanos eram planejados e decorados. Também oferece pistas sobre a relação dos moradores com o ambiente natural, especialmente com o rio que passava nas proximidades.
Embora a imagem represente uma figura mitológica, sua presença está ligada a necessidades concretas da população. A água era indispensável ao abastecimento, à produção agrícola e à organização da cidade, o que explica sua associação com fertilidade e prosperidade.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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