O programa Ganhando o Mundo reuniu nesta sexta-feira (19), em Maringá, estudantes que já participaram do intercâmbio internacional e novos alunos da rede estadual que devem embarcar no próximo semestre e em 2027 para cinco países. O encontro envolveu cerca de 300 estudantes dos 25 municípios atendidos pelo Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá e contou com a presença do governador Carlos Massa Ratinho Junior.
A iniciativa, mantida pelo Governo do Estado do Paraná, oferece intercâmbio gratuito a alunos da rede pública estadual. Segundo o governo, já foram investidos R$ 503,5 milhões para levar 4.540 estudantes a experiências educacionais em outros países. Na próxima edição, prevista para 2027, mil alunos estudarão por um semestre em escolas da Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido.
O Ganhando o Mundo contempla estudantes de escolas públicas dos 399 municípios paranaenses. De acordo com as regras informadas pelo governo, 10% das vagas são reservadas a alunos beneficiários do Bolsa Família. A seleção valoriza o desempenho escolar, considerando critérios como boas notas e frequência.
Durante o encontro, Ratinho Junior afirmou que o programa busca reconhecer o mérito dos estudantes da rede estadual. “O Ganhando o Mundo é o maior programa estudantil da América do Sul, que valoriza o mérito dos alunos, que conseguem essa oportunidade por terem boas notas e boa frequência na escola”, disse o governador.
O chefe do Executivo estadual também destacou o papel formativo da experiência no exterior. “A gente quer que esses estudantes se tornem líderes, inspirando outros alunos, suas famílias e comunidades. É uma experiência que transforma a vida, porque eles têm contato com outras culturas e pessoas de outros países”, afirmou Ratinho Junior.
Estado custeia despesas do intercâmbio
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) cobre os custos relacionados à participação dos alunos no programa. A lista inclui alimentação, hospedagem, transporte, emissão de vistos e passaportes, passagens aéreas e terrestres, exames médicos, vacinas, seguro-viagem e saúde, matrícula, mensalidade em escola estrangeira, material didático, uniforme e documentação escolar.
Os estudantes permanecem por um semestre letivo no exterior e recebem auxílio mensal de R$ 800 durante o período do intercâmbio. A proposta, segundo o governo, é ampliar o repertório cultural e acadêmico dos jovens, aprimorar o conhecimento da língua inglesa, incentivar a autonomia e formar uma rede de estudantes com atuação em suas escolas e comunidades.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, afirmou que o programa tem gerado resultados positivos e servido de referência para outros estados. “É uma transformação na vida desses adolescentes, que traz um resultado muito bom para a vida deles”, afirmou.
Miranda explicou que o encontro entre veteranos e novos intercambistas foi organizado para reduzir dúvidas e preparar os estudantes e suas famílias. “O encontro entre estudantes que já foram e os que ainda vão para o exterior é para ter uma troca de experiências. Reunimos também os pais dos alunos para conhecer melhor e terem mais segurança de que seus filhos estarão bem cuidados”, destacou o secretário.
Segundo ele, a preparação inclui informações sobre rotina escolar, cultura e adaptação nos países de destino. “É necessário criar uma boa atmosfera para os estudantes, para eles já irem se ambientando com os países, a cultura e o currículo das escolas estrangeiras, com base na experiência de quem já passou por isso”, completou Miranda.
Estudantes relatam impacto da experiência no exterior
Entre os participantes do encontro estava Isadora Sá, de 17 anos, estudante do Colégio Cívico Militar Vinicius de Moraes, de Maringá. Ela participou do intercâmbio no Canadá no ano passado e relatou que a experiência marcou sua trajetória pessoal e acadêmica.
“Só de ir até lá foi maravilhoso, tudo muito novo, andar de avião pela primeira vez. São coisas que a gente sonha muito tempo e realizar isso aos 16 anos é incrível. Foram os melhores seis meses da minha vida, cada dia era algo diferente. Fiz muita coisa, aprendi demais, fiz amizades com pessoas do mundo inteiro”, contou.
A estudante afirmou que o intercâmbio influenciou seus planos para o futuro. “O intercâmbio abriu os meus horizontes para um mundo de oportunidades. Depois que a gente vai para fora, o mundo fica pequeno para a gente”, afirmou. “Agora eu quero me formar em comunicação e tentar uma carreira como modelo internacional”.
O pai de Isadora, Edmilson Vieira de Sá, disse que a família se mudou há 10 anos de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, para Maringá em busca de mais oportunidades para os filhos. “Viemos em busca de uma oportunidade e escolhemos Maringá por causa da qualidade de vida e por ter uma educação muito boa. Dizem que é a melhor cidade para se viver e hoje temos certeza disso”, afirmou.
Ele também destacou a confiança no acompanhamento oferecido pelo programa. “Essa oportunidade que a Isadora teve foi muito boa para ela e para a família inteira. Todos mereciam ter essa oportunidade, o programa é maravilhoso. A equipe do Ganhando o Mundo passa confiança, garante toda a segurança dos jovens”, disse.
Novos intercambistas se preparam para embarcar
Mirela dos Santos, de 16 anos, também estudante do Colégio Cívico Militar Vinicius de Moraes, embarcará no segundo semestre para o Reino Unido. Ela contou que recebeu ajuda de Isadora para convencer os pais sobre a importância da participação no intercâmbio.
“Estou bem animada porque o processo já está bem divertido, estou conhecendo muitas pessoas, e eu espero que seja bom para o meu estudo e para minha experiência de vida”, disse. Segundo a estudante, a família inicialmente demonstrou preocupação com a viagem internacional, mas entendeu a relevância da oportunidade.
“Estou bem ansiosa para fazer amizade e conhecer as pessoas de lá. Eu quero, principalmente, conhecer bibliotecas e lugares históricos, porque o Reino Unido tem muita arquitetura antiga, que são muito bonitas. É um sonho ter essa oportunidade, eu não conseguiria se não fosse pelo programa. Tenho certeza que fará uma grande diferença para o meu futuro”, afirmou.
Outra futura intercambista é Emanuely Vitória da Silva, de 16 anos, aluna do Colégio Estadual Márcia Vaz Tostes de Abreu, em São Jorge do Ivaí. Filha de uma costureira e de um lavrador, ela embarca em agosto para o Canadá e disse que se preparava desde 2024 para conseguir uma vaga.
“Desde 2024 eu me preparo para o Ganhando o Mundo, me esforçando bastante para conseguir sempre médias acima de 90, para conseguir passar no programa”, afirmou. A estudante relatou que o intercâmbio sempre foi um sonho e que a oportunidade representa algo que sua família não teria condições de custear por conta própria.
Além das edições convencionais, o governo também informou que promoveu intercâmbios específicos para alunos de escolas agrícolas, com destino ao estado de Iowa, nos Estados Unidos. O programa também é voltado a professores, pedagogos e diretores de escolas estaduais.
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O encontro em Maringá reforçou o papel do Ganhando o Mundo como política pública de formação estudantil, ao reunir alunos que já viveram a experiência internacional e jovens que se preparam para estudar fora do país. Além da aprendizagem em outro sistema educacional, o programa busca ampliar perspectivas acadêmicas, culturais e profissionais de estudantes da rede pública paranaense.

Com mais de 20 anos de atuação na área do jornalismo, Luiz Veroneze é especialista na produção de conteúdo local e regional, com ênfase em assuntos relacionados à economia e política. Também escreve sobre arqueologia, curiosidades, livros e variedades.
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