CoRoT2b

Planeta CoRoT-2 b tem dia mais longo que seu ano, mostram novas medições

O exoplaneta CoRoT-2 b completa uma rotação em aproximadamente três dias terrestres, enquanto dá a volta em torno de sua estrela em cerca de um dia e meio — ou seja, o planeta faz duas órbitas por cada giro em seu próprio eixo.

A descoberta partiu de um grupo liderado por Aurora Kesseli, pesquisadora ligada ao NASA Exoplanet Science Institute no IPAC, centro de ciência e dados do Caltech. A equipe obteve espectroscopia recente com o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) para medir a velocidade do planeta e inferir sua taxa de rotação.

CoRoT-2 b é classificado como um “Júpiter quente”, categoria que reúne grandes planetas gasosos em órbitas muito próximas às suas estrelas. O planeta atraiu atenção desde 2018 por apresentar sua região mais quente deslocada em direção oposta àquela normalmente observada em outros Júpiteres quentes — enquanto a maior parte desses mundos exibe o ponto mais quente levemente adiante no sentido de seu movimento orbital, CoRoT-2 b mostra o contrário.

Hipóteses anteriores e novo suporte para rotação lenta

Pesquisas anteriores propuseram três explicações para essa configuração incomum: presença de nuvens que encobrem parte da atmosfera, influência de campos magnéticos na redistribuição de calor, ou uma rotação mais lenta do que o esperado. Os dados espectroscópicos recentes favorecem a hipótese da rotação reduzida como a principal causa do deslocamento do ponto quente.

Confirmação pendente e causas em aberto

Os cientistas ainda não identificaram o motivo pelo qual CoRoT-2 b gira tão devagar. Interações com a estrela hospedeira, processos internos do planeta ou outros fatores podem estar relacionados, e serão necessárias observações adicionais para esclarecer a origem do fenômeno.

Mais de 5.000 exoplanetas já foram confirmados até o momento, e Kesseli ressaltou que padrões tidos como universais frequentemente encontram exceções à medida que novos dados ficam disponíveis, o que exige ajustes nos modelos que descrevem esses mundos.

Próximos passos com telescópios futuros

Os autores da pesquisa apontam que futuras instalações, como o Habitable Worlds Observatory e o Extremely Large Telescope (ELT), deverão permitir medições atmosféricas mais detalhadas — incluindo ventos e temperaturas — e ampliar o estudo de exoplanetas, possivelmente alcançando alvos com características mais próximas às da Terra.

Os resultados foram apresentados na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS).

Com informações de Olhardigital

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