A Marinha do Brasil terá uma nova tecnologia para ampliar o monitoramento da Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira que reúne rotas estratégicas, recursos naturais e biodiversidade. Desenvolvido pela empresa brasileira IACIT, o Projeto MANTA recebeu investimento de R$ 49 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep, e será executado em parceria com a Marinha, a Orbital Engenharia, a Polidesign Indústria e Comércio e outras instituições governamentais.
O contrato para o desenvolvimento do sistema foi assinado na quinta-feira, 18, durante a SpaceBR Show, em São Paulo. A iniciativa tem como objetivo reforçar a capacidade nacional de vigilância da plataforma continental estendida brasileira, especialmente após o reconhecimento, pela Organização das Nações Unidas, da ampliação de cerca de 360 mil quilômetros quadrados da área marítima do país em março de 2025.
O nome MANTA significa Monitoramento Avançado Naval com Tecnologia Adaptativa. A proposta é criar uma nova geração de sistemas de vigilância naval, com foco em acompanhamento persistente e de longo alcance. Na prática, isso significa ampliar a capacidade de detectar, acompanhar e identificar alvos em áreas marítimas extensas e de difícil controle.
A tecnologia deverá combinar sensoriamento, processamento de sinais e inteligência artificial. Esses recursos serão usados para interpretar informações captadas por sistemas de monitoramento e gerar dados de interesse para atividades de vigilância, segurança marítima e proteção de infraestruturas estratégicas.
Segundo a Marinha, o projeto também prevê novas arquiteturas de monitoramento capazes de ampliar o alcance operacional de sistemas já empregados nesse tipo de aplicação. A expectativa é que o MANTA contribua para uma atuação mais eficiente em áreas distantes da costa.
Amazônia Azul ganhou nova dimensão estratégica
A Amazônia Azul tem aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados e concentra parte importante dos interesses marítimos brasileiros. A região inclui rotas comerciais, reservas energéticas, recursos minerais e áreas relevantes de biodiversidade marinha.
A ampliação da plataforma continental brasileira reconhecida pela ONU reforçou a necessidade de investimentos em monitoramento. Com a incorporação de uma área adicional de cerca de 360 mil quilômetros quadrados, o Brasil passou a lidar com novos desafios de vigilância, fiscalização e proteção de recursos.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou da cerimônia de assinatura do contrato e destacou a relação entre tecnologia, soberania e defesa das riquezas nacionais.
Segundo a ministra, “estar aqui na IACIT para anunciar um sistema que vai nos ajudar a fazer o monitoramento dos nossos mares é muito importante. Um País que tem quase 9 mil quilômetros de litoral precisa, cada vez mais, garantir que o oceano sob jurisdição brasileira tenha a proteção necessária. A soberania nacional diz respeito à defesa das nossas riquezas”.
A declaração reforça o caráter estratégico do projeto, que não se limita à dimensão militar. O monitoramento marítimo também é relevante para fiscalização ambiental, segurança da navegação, combate a crimes e proteção de estruturas críticas.
Sistema terá alcance superior a 350 milhas náuticas
Representando a Marinha no evento, o diretor de Gestão de Programas da Marinha, vice-almirante Marcelo da Silva Gomes, afirmou que o MANTA terá papel importante na ampliação da capacidade nacional de monitoramento marítimo.
De acordo com o vice-almirante, “a iniciativa MANTA da IACIT possibilitará ao País ter um sistema de altíssimo alcance, superior a 350 milhas náuticas, essencial para o monitoramento principalmente da porção Norte do País, uma área estratégica. Essa parceria é muito importante para Marinha do Brasil e para o País”.
A região Norte é considerada sensível por sua extensão, complexidade geográfica e relevância para a segurança marítima. O aumento do alcance dos sistemas de vigilância pode melhorar a identificação de embarcações e atividades em áreas distantes, onde o acompanhamento contínuo é mais difícil.
A Marinha já mantém parceria estratégica com a IACIT no uso de informações provenientes do Radar Além do Horizonte, instalado na área do Farol de Albardão, em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul. O novo projeto deve complementar e ampliar capacidades relacionadas a esse tipo de tecnologia.
Radares além do horizonte são sistemas projetados para detectar alvos em distâncias superiores às de radares convencionais, que costumam ser limitados pela curvatura da Terra. Em aplicações marítimas, esse tipo de recurso pode ampliar o campo de vigilância e apoiar decisões operacionais.
Inteligência artificial será usada no processamento de dados
Um dos pontos centrais do Projeto MANTA é o uso de inteligência artificial no tratamento das informações captadas pelos sistemas de monitoramento. Em áreas marítimas amplas, o volume de dados pode ser elevado, exigindo ferramentas capazes de organizar, comparar e interpretar sinais com maior rapidez.
A inteligência artificial, nesse contexto, não substitui a decisão humana. Ela atua como recurso de apoio, ajudando a identificar padrões, filtrar informações relevantes e melhorar o acompanhamento de alvos em ambientes complexos.
Para Luiz Teixeira, CEO da IACIT, o reconhecimento da expansão da plataforma continental brasileira traz novos desafios de monitoramento e proteção. Segundo ele, “o MANTA foi concebido para responder a esse cenário, reunindo tecnologias avançadas de sensoriamento, processamento de dados e inteligência artificial em uma solução desenvolvida no Brasil para ampliar a capacidade de vigilância marítima de longo alcance”.
O fato de a tecnologia ser desenvolvida no país também foi apresentado como elemento estratégico. Em áreas relacionadas à defesa, segurança e soberania, soluções nacionais podem reduzir dependências externas e fortalecer a capacidade tecnológica brasileira.
Monitoramento ajuda no combate a ameaças marítimas
Além da proteção de recursos naturais, sistemas de vigilância marítima contribuem para enfrentar atividades ilícitas. Pesca ilegal, tráfico, crimes transnacionais e riscos à segurança da navegação estão entre os problemas que podem ser acompanhados com maior precisão por tecnologias de longo alcance.
O acompanhamento contínuo também pode apoiar ações de fiscalização ambiental e proteção de infraestruturas estratégicas, como instalações ligadas à energia, portos, cabos submarinos e áreas de interesse econômico. Em um território marítimo extenso, a capacidade de enxergar mais longe se torna um fator de planejamento e resposta.
Para acompanhar outras notícias sobre inovação, defesa, inteligência artificial e tecnologias estratégicas, acesse também a editoria de tecnologia do Jornal da Fronteira: https://jornaldafronteira.com.br/tecnologia/
O Projeto MANTA marca uma nova etapa nos esforços de monitoramento da Amazônia Azul. Com investimento público, participação da indústria nacional e integração com a Marinha, a iniciativa busca ampliar a vigilância de uma área fundamental para a segurança, a economia e a soberania do Brasil.
Informações: Agência Marinha de Notícias

Com mais de 20 anos de atuação na área do jornalismo, Luiz Veroneze é especialista na produção de conteúdo local e regional, com ênfase em assuntos relacionados à economia e política. Também escreve sobre arqueologia, curiosidades, livros e variedades.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
Sugestões de pauta: Entre em contato via WhatsApp: (49) 3644 1724.
🚀 Aproveite e nos siga no Google Notícias: Clique aqui para seguir o Jornal da Fronteira




