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Marmotas ligadas ao primeiro surto mortífero da peste

Marmotas — nova pesquisa genética sugere que esses roedores podem ter sido a fonte de um surto letal de peste entre caçadores-coletores às margens do Lago Baikal, na Sibéria. A descoberta desloca para o período pré-urbano a origem de surtos graves da doença e muda como cientistas entendem o impacto inicial da bactéria.

  • Flash resumo: DNA de Yersinia pestis foi encontrado em 18 dos 46 indivíduos analisados, indicando surtos antigos e letais entre populações de caçadores-coletores do Baikal.

Evidências arqueogenéticas que reescrevem a história

Pesquisadores examinaram restos mortais em quatro cemitérios próximos ao Lago Baikal e recuperaram fragmentos de DNA antigo a partir de dentes e ossos.

A presença do material genético da bactéria Yersinia pestis em 18 de 46 indivíduos indica que a doença já causava surtos significativos bem antes de assentamentos urbanos.

“As descobertas mudam fundamentalmente a forma como pensamos sobre as origens e o impacto inicial de um dos patógenos mais importantes para a humanidade”, disse à Reuters Eske Willerslev, geneticista evolucionista da Universidade de Copenhague e da Universidade de Cambridge e um dos autores do estudo.

Transmissão provável e peculiaridades da cepa antiga

Os autores apontam as marmotas como principal suspeita porque esses roedores ainda hoje podem carregar a peste, e evidências arqueológicas mostram contato frequente entre humanos e marmotas na região.

Genomas reconstruídos indicam que as cepas antigas eram letais, mas diferentes das variantes medievais: faltava o gene para transmissão eficiente por pulgas e não havia os bubões típicos da peste bubônica; havia, porém, um gene ligado à produção de toxina que poderia provocar reação imunológica exagerada.

O que você acha? Você acredita que marmotas foram a ponte entre animais e humanos nesse surto antigo? Para acompanhar mais, acesse nossa editoria.

Perguntas Frequentes

Como as marmotas teriam transmitido a peste aos caçadores-coletores do Lago Baikal?

Marmotas provavelmente transmitiram a peste por contato direto: evidências arqueológicas mostram dentes de marmota como pingentes e uso como alimento, o que sugere exposição ao manusear animais ou consumir carne. A hipótese é reforçada pelo fato de que DNA de Yersinia pestis apareceu em 18 dos 46 indivíduos analisados.

O que o estudo sobre marmotas e o Lago Baikal revela sobre a antiguidade da peste?

Marmotas entram na narrativa porque o estudo publicado na revista Nature identificou casos de peste entre 5.596–5.341 e 5.126–4.926 anos atrás, cerca de 200 anos antes do que se estimava, mostrando que Yersinia pestis causava surtos letais já na era de caçadores-coletores do Baikal.

Qual foi a proporção de infectados encontrada no sítio do Lago Baikal e o que isso implica?

Marmotas aparecem como possível fonte enquanto o estudo reporta que 18 de 46 indivíduos — aproximadamente 40% — tinham DNA de Yersinia pestis, uma proporção maior do que a observada em algumas valas medievais, o que sugere surtos localmente muito letais entre famílias e grupos próximos.

Que diferenças genéticas havia nas cepas antigas ligadas às marmotas?

Marmotas são citadas como vetor provável para cepas que, segundo os genomas reconstruídos, não possuíam o gene associado à transmissão eficiente por pulgas nem produziam os bubões da peste bubônica; entretanto, carregavam um gene ligado à produção de uma toxina que poderia provocar forte reação imunológica e alta mortalidade infantil.

Quando ocorreram os surtos ligados às marmotas no Lago Baikal, segundo o estudo?

Marmotas aparecem no contexto temporal do trabalho porque os cientistas dataram dois surtos no sítio: o mais antigo entre 5.596 e 5.341 anos atrás e outro entre 5.126 e 4.926 anos atrás, a partir da datação direta dos ossos e dentes que preservaram o DNA de Yersinia pestis.

Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.

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