Defesa Civil do Paraná realizou reuniões com órgãos fiscalizadores e empresas responsáveis por barragens para reforçar medidas preventivas diante da previsão de chuvas acima da média associadas ao El Niño

Defesa Civil do Paraná reforça ações preventivas para segurança de barragens

Defesa Civil do Paraná realizou reuniões com órgãos fiscalizadores e empresas responsáveis por barragens para reforçar medidas preventivas diante da previsão de chuvas acima da média associadas ao El Niño

A Defesa Civil Estadual do Paraná realizou nesta quarta e quinta-feira, 18 e 19 de junho, reuniões preventivas com representantes do Comitê Paranaense de Segurança de Barragens e empresas responsáveis pela gestão de estruturas utilizadas para diferentes finalidades no Estado. A iniciativa teve como objetivo reforçar medidas de segurança diante da possibilidade de aumento no volume de chuvas associado ao fenômeno El Niño.

Os encontros ocorreram em formato híbrido e reuniram mais de 30 representantes de empresas de geração de energia, mineração, armazenamento, tratamento e distribuição de água, além de órgãos ligados à fiscalização e ao acompanhamento técnico das barragens. No Paraná, existem 2.064 barragens em uso, destinadas a atividades como geração de energia hidrelétrica, abastecimento público, irrigação, armazenamento de água, contenção de rejeitos industriais e de mineração, regularização de vazão e uso agropecuário.

Segundo o coordenador executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Ivan Fernandes, o calendário de reuniões regulares foi antecipado em razão do cenário meteorológico previsto. A medida busca garantir que empresas e órgãos responsáveis pelas estruturas mantenham atenção reforçada diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.

“Naturamente nos preocupamos com o impacto desse volume atípico nas barragens do Estado, por isso convocamos as principais operadoras para que haja uma atenção especial diante de um possível cenário extremo”, afirmou Fernandes.

Durante as reuniões, foram apresentadas informações técnicas e medidas já adotadas pelas empresas responsáveis por barragens no Paraná. De acordo com o coordenador executivo da Defesa Civil, as ações estão sendo avaliadas dentro do contexto de possíveis efeitos do El Niño, com foco na prevenção de riscos e na proteção das comunidades localizadas em áreas que possam ser impactadas por cheias.

“Foram apresentados os resultados de medidas já contextualizadas com o El Niño. Temos certeza de que, em caso de algum evento, as barragens estarão dotadas de total segurança para prevenção de qualquer tipo de acidente”, declarou Fernandes.

A Sanepar participou das discussões apresentando informações sobre os cinco grandes reservatórios de água sob sua responsabilidade na Região Metropolitana de Curitiba: Miringuava, Iraí, Passaúna, Piraquara I e Piraquara II. As estruturas são utilizadas para o abastecimento público e também têm papel relevante no controle de volumes de água durante períodos de chuva intensa.

Na reunião, a companhia destacou que realiza avaliações técnicas anuais para verificar as condições de segurança dos empreendimentos. As vistorias abrangem componentes hidráulicos, eletromecânicos, civis e geotécnicos, com o objetivo de identificar eventuais necessidades de manutenção, reparo ou ajuste.

O coordenador de Produção da Sanepar, Arion Garcia, informou que a avaliação técnica realizada em 2025 contemplou todos os itens previstos e atestou a conformidade estrutural dos reservatórios, inclusive da Barragem Piraquara I, inaugurada em 1979.

Mensalmente, equipes técnicas da empresa também realizam leituras dos instrumentos de medição instalados nas barragens. O acompanhamento permite verificar o funcionamento das estruturas e adotar medidas corretivas quando necessário.

“O resultado indicou a conformidade, ou seja, todos os reservatórios atendem os requisitos de segurança e têm capacidade para escoar o volume de água previsto no projeto, isso considerando o histórico ocorrência das chuvas mais altas possíveis já identificadas”, afirmou Garcia.

Reservatórios de água desse porte também contribuem para reduzir os impactos de grandes volumes de chuva. Ao reter parte da água e liberá-la de forma controlada, as estruturas ajudam a diminuir picos de vazão dos rios e a minimizar riscos de alagamentos. Além disso, são fundamentais para garantir o abastecimento público em períodos de escassez hídrica.

Representantes da Itaipu Binacional também apresentaram medidas adotadas para o acompanhamento de cenários de cheias nos rios que influenciam a operação da usina. O lago de Itaipu tem capacidade para armazenar 29 bilhões de metros cúbicos de água e abrange uma área de 1.350 quilômetros quadrados, envolvendo municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul.

Em períodos de excesso de chuva, a operação da usina pode exigir o escoamento de água pelo vertedouro para manter a segurança da barragem. A empresa informou que mantém monitoramento contínuo das condições hidrológicas dos rios e publica diariamente um Boletim Hidrológico, com informações sobre o comportamento do nível do Rio Paraná a jusante da usina e previsão para os dois dias seguintes.

Quando as previsões indicam elevação atípica dos níveis dos rios, a Itaipu aciona a Comissão Especial de Cheias, formada por representantes brasileiros e paraguaios de diferentes áreas da usina. Cada setor possui atribuições específicas para atuar em eventuais situações de risco, com medidas de acompanhamento, comunicação e mitigação de impactos.

O superintendente de Segurança Empresarial da Itaipu, coronel Washington Rosa, explicou que a área é responsável por manter a Defesa Civil informada sobre possíveis cenários de inundação.

“O excesso de chuva pode elevar o nível do Rio Paraná à jusante da usina. Enquanto conseguimos reter, seguramos essa água para retardar, ou até mesmo reduzir as enchentes em alguns bairros de Foz do Iguaçu e municípios do Paraguai ao longo do curso. Quando há necessidade, fazemos ações preventivas para mitigar os impactos desses moradores das chamadas manchas de inundação, que são as cotas que a água deve alcançar em situações de cheias”, afirmou.

As reuniões promovidas pela Defesa Civil Estadual fazem parte do conjunto de ações voltadas à gestão de riscos no Paraná. O trabalho envolve o acompanhamento de estruturas estratégicas, a articulação com empresas responsáveis por barragens e a troca de informações com órgãos fiscalizadores.

A medida busca reforçar a prevenção, especialmente em períodos de maior instabilidade climática. Segundo a Defesa Civil, o objetivo é manter as equipes técnicas e operacionais preparadas para atuar de forma coordenada, reduzir riscos à população e garantir que as estruturas em funcionamento no Estado sigam os protocolos de segurança previstos.

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