Novas datações por radiocarbono indicam que a Sala Keimada, uma câmara de difícil acesso localizada na Cueva Palomera, no norte da Espanha, recebeu visitas humanas ao longo de milhares de anos. A caverna é a principal entrada para o sistema de cavernas de Ojo Guareña, considerado um dos conjuntos arqueológicos mais relevantes da região.
O estudo foi conduzido por Ana Isabel Ortega Martínez, da Real Academia de História e Belas Artes de Burgos, em parceria com outros pesquisadores. A análise teve como foco a ocupação da Sala Keimada, onde está concentrada a maior parte da arte rupestre identificada no sistema de cavernas.
As datações foram obtidas a partir de amostras de carvão, desenhos e ossos encontrados em diferentes pontos da Sala Keimada. O registro mais antigo indica presença humana no local há cerca de 13.700 anos.
A data mais recente, de aproximadamente 2.100 anos atrás, foi obtida a partir dos restos mortais de um leitão doméstico. Segundo os pesquisadores, o animal pode ter sido deixado como oferenda ritual em um pequeno lago no interior da câmara.
Visitas ocorreram em diferentes fases
A pesquisa aponta que a Sala Keimada foi visitada repetidamente em pelo menos oito fases distintas. Essas ocupações abrangem períodos como o Neolítico, o Calcolítico e a Idade do Bronze.
Para os arqueólogos, a permanência desse padrão ao longo do tempo mostra que a câmara manteve importância para diferentes grupos humanos. O local pode ter sido usado para práticas simbólicas, rituais ou outras atividades associadas à produção de arte rupestre.
Arte rupestre foi preservada por gerações
Um dos pontos destacados pelo estudo é que os visitantes acrescentaram novas obras ao longo dos séculos sem apagar ou destruir os desenhos deixados por grupos anteriores. Essa preservação sucessiva permitiu a formação de um conjunto visual acumulado, com registros de diferentes períodos históricos.
A presença contínua de arte rupestre na Sala Keimada ajuda os pesquisadores a compreenderem como comunidades antigas se relacionavam com o espaço subterrâneo e com marcas deixadas por seus antecessores.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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