Uma pesquisa realizada por cientistas da NASA, do Serviço Geológico do Brasil e da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificou sinais de redução no armazenamento de água subterrânea em aquíferos importantes do Brasil. O estudo foi publicado em 3 de junho na revista científica Science Advances e analisou dados do período entre 2002 e 2023.
Os pesquisadores usaram inteligência artificial para combinar informações de satélites, medições em poços, dados geológicos e registros sobre uso da água. O objetivo foi produzir um retrato mais detalhado da situação das águas subterrâneas em um país de grande extensão territorial e com forte dependência dos recursos hídricos para abastecimento, agricultura e atividades econômicas.
A pesquisa utilizou dados das missões GRACE e GRACE Follow-On, que monitoram variações sutis na gravidade da Terra. Essas alterações permitem estimar mudanças no volume de água armazenado no solo, nos rios, nos reservatórios e nos aquíferos.
Com esse conjunto de dados, os cientistas produziram mapas de alta resolução das águas subterrâneas em todo o território brasileiro, uma área de aproximadamente 8,5 milhões de quilômetros quadrados. A metodologia também incorporou informações de poços monitorados no país, o que ajudou a melhorar a precisão das estimativas.
Centro e leste do Brasil aparecem entre áreas mais afetadas
Segundo o estudo, vários aquíferos localizados no centro e no leste do Brasil apresentam sinais de perda persistente de água subterrânea. Em condições normais, esses reservatórios são recarregados pela chuva, que aumenta o volume dos rios e se infiltra no solo.
Os pesquisadores apontam, no entanto, que algumas regiões passaram por anos com pouca ou nenhuma recarga. Essa situação está associada a fatores como secas prolongadas, mudanças no uso do solo, desmatamento, expansão agrícola, mineração e aumento da extração de água subterrânea.
Amazônia teve oscilações sazonais
Os mapas produzidos pela pesquisa mostram comportamentos diferentes entre as regiões brasileiras. Partes da bacia amazônica apresentaram fortes oscilações sazonais, relacionadas ao regime de chuvas e às cheias dos rios.
Em áreas com expansão agrícola e maior uso comercial da terra, o padrão observado foi mais preocupante. Nesses locais, o estudo identificou redução mais severa e persistente no armazenamento de água subterrânea, indicando pressão contínua sobre os aquíferos.

Aquíferos são estratégicos para o país
As águas subterrâneas têm papel importante no abastecimento e na segurança hídrica do Brasil. Segundo os pesquisadores, aquíferos brasileiros fornecem parte significativa da água utilizada no país e funcionam como reservas naturais em períodos de estiagem.
O Serviço Geológico do Brasil informou que o país registrou déficit acumulado de 530 quilômetros cúbicos de água subterrânea entre 2002 e 2022. Entre os sistemas mais afetados estão aquíferos como Urucuia, Bambuí, Pantanal e Bauru-Caiuá.
Perda se aproxima de padrões observados em outros países
A conclusão dos pesquisadores é que o Brasil começa a apresentar sinais semelhantes aos observados em aquíferos intensamente explorados em países como Estados Unidos, Índia, Irã e Bangladesh. Nessas regiões, o uso contínuo da água subterrânea acima da capacidade de reposição tem provocado queda nos níveis dos reservatórios.
No caso brasileiro, o estudo indica que a pressão resulta da combinação entre fatores climáticos e atividades humanas. A redução das chuvas em determinadas regiões, somada ao aumento da demanda por água, pode dificultar a recuperação natural dos aquíferos.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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