Paraná convoca doadores de sangue O+ e O- para reforçar estoques do Hemepar

Paraná convoca doadores de sangue O+ e O- para reforçar estoques do Hemepar

Hemepar atende 384 hospitais no Paraná e faz novo chamado para doadores de sangue, especialmente dos tipos O+ e O-, diante da alta demanda da rede hospitalar.

O Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, reforçou o chamado à população para manter abastecidos os estoques de sangue da Hemorrede estadual. A mobilização ocorre em referência ao Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado no domingo, 14 de junho, e integra as ações do Junho Vermelho. O apelo principal é direcionado aos doadores dos tipos O positivo e O negativo, que apresentaram queda recente nos bancos de sangue e são considerados de alta demanda para atendimentos de urgência, emergências, cirurgias e tratamentos contínuos.

A regularidade das doações é apontada pela Secretaria da Saúde como fator essencial para garantir o funcionamento da rede. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná, Hemepar, atende 384 hospitais em todo o Estado e dá suporte a 96,6% dos leitos do Sistema Único de Saúde no Paraná. Para manter essa estrutura em operação, cerca de 700 hemocomponentes são enviados diariamente às unidades parceiras.

Entre os doadores frequentes está o advogado César Yukio Yokoyama, de 57 anos, que afirma ter incorporado a doação à rotina há cerca de dez anos. Ele calcula já ter realizado aproximadamente 45 doações no Hemepar, principalmente de plaquetas, componente sanguíneo que tem validade de apenas cinco dias após a coleta.

Ao relatar sua motivação, César destacou o impacto direto da doação na vida de pacientes que dependem do sangue para sobreviver.

“A minha principal motivação é saber que o que corre nas minhas veias pode ser o combustível para a sobrevivência de outra pessoa. Descobri que meu tipo sanguíneo, AB+, atende principalmente a recém-nascidos e pacientes imunosuprimidos pela mínima rejeição que apresenta. Saber que o meu sangue vai para os seres mais frágeis do hospital, como bebês que mal começaram a vida, deu um sentido totalmente novo. Não é só um ato mecânico. É saber exatamente quem eu estou protegendo”, relatou o advogado.

A importância da doação também é vivida por pacientes que dependem de transfusões periódicas. A administradora de empresas Leisse Vieira, de 43 anos, é portadora de Talassemia Major, doença genética rara em que a medula produz glóbulos vermelhos com defeito. Por causa da condição, ela precisa receber transfusões de sangue a cada três ou quatro semanas.

Leisse afirmou que a doação representa a continuidade de seu tratamento e destacou que, no seu caso, há necessidade de sangue fenotipado, ou seja, compatível com características específicas do paciente.

“O doador me sustenta, me dá a oportunidade de viver mais e melhor, transforma uma vida que poderia ser curta e triste em uma história de vida. No meu caso, o sangue precisa ser fenotipado, ou seja, de um doador específico, mas qualquer doação é bem-vinda para salvar vidas. Tem pessoas incríveis por aí que têm a intenção no coração de ajudar a melhorar o mundo de alguma forma. Doe sangue. Não vai te fazer falta e é uma atitude que gera felicidade para quem doa e para quem recebe”, testemunhou Leisse.

A paciente frequenta o Hemepar há 39 anos e também ressaltou o atendimento recebido na instituição ao longo desse período.

“Eu estou no Hemepar há 39 anos, sempre me senti acolhida. Todos são especiais e têm seu papel valioso no processo”, destacou.

Segundo dados do Governo do Estado, o Paraná registrou crescimento no número de bolsas coletadas nos últimos anos. Em 2023, foram 187.128 bolsas de sangue. Em 2024, o número subiu para 203.925. Em 2025, chegou a 214.377 bolsas, o que representa aumento próximo de 15% no período.

Em 2026, a tendência de crescimento continua. Até o momento, mais de 86 mil bolsas já foram contabilizadas no Estado, volume 3% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado. Mesmo com a ampliação das doações, a Secretaria da Saúde informa que os estoques dos tipos O positivo e O negativo precisam de reposição constante por causa da elevada utilização dessas tipagens na rede hospitalar.

O secretário de Estado da Saúde, César Neves, afirmou que o avanço nas doações mostra o engajamento da população, mas ressaltou que a demanda hospitalar é permanente.

“O crescimento constante nas doações ano após ano demonstra o espírito solidário do povo paranaense, mas a nossa hemorrede é viva e a demanda dos hospitais não para. O Dia Mundial do Doador é o momento de agradecermos a quem já tem esse hábito e, ao mesmo tempo, de fazermos um apelo crítico para os voluntários dos tipos O+ e O-. Manter esses estoques abastecidos é uma responsabilidade coletiva para garantir que nenhuma cirurgia ou atendimento de urgência seja interrompido no Estado”, disse.

Para marcar o Junho Vermelho e incentivar a adesão de novos voluntários, hemocentros e Unidades de Coleta e Transfusão de diferentes regiões do Paraná organizaram programações especiais ao longo do mês. Entre as ações estão agendamento intensificado de grupos, transporte gratuito, coletas externas, blitz educativas em semáforos, distribuição de materiais informativos e palestras em colégios, universidades e empresas parceiras.

A Hemorrede do Paraná funciona de forma integrada. Isso significa que o sangue coletado em uma unidade pode ser destinado a pacientes atendidos em outra região, conforme a necessidade assistencial. A organização permite que os estoques sejam distribuídos de acordo com a demanda dos hospitais e evita que as unidades atuem de maneira isolada.

A diretora do Hemepar, Vivian Raksa, explicou que esse modelo de funcionamento é considerado fundamental para manter o abastecimento da rede em todas as regiões do Estado.

“A Hemorrede do Paraná trabalha de forma totalmente integrada, o que significa que uma única bolsa coletada no Interior pode salvar uma vida na Capital, e vice-versa. Para dar suporte a quase 97% dos leitos SUS do Estado, nós distribuímos cerca de 700 hemocomponentes todos os dias. Por isso, as ações especiais promovidas pelas nossas Regionais neste Junho Vermelho são fundamentais para aproximar o Hemepar da comunidade e sensibilizar novos doadores frequentes”, afirmou.

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos completos. No caso de menores de idade, é necessária autorização e acompanhamento do responsável legal. Homens podem realizar até quatro doações por ano, com intervalo mínimo de dois meses entre as coletas. Mulheres podem doar até três vezes ao ano, respeitando intervalo mínimo de três meses.

Para realizar a doação, o voluntário deve pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado e descansado. A orientação é evitar alimentos gordurosos nas horas anteriores ao procedimento. Também é obrigatória a apresentação de documento oficial com foto no momento do atendimento.

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