A Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, reúne 48 seleções e marca a maior edição da história do torneio. Ao mesmo tempo em que o evento mobiliza torcedores em diferentes continentes, parte dos países participantes convive com guerras, tensões militares, violência interna ou conflitos prolongados.
Levantamento com base no cenário geopolítico atual aponta que 13 seleções classificadas estão ligadas, direta ou indiretamente, a situações de conflito. O número representa pouco mais de 27% dos participantes do Mundial.
Quais países aparecem no levantamento
Entre as seleções citadas estão Estados Unidos, México, Haiti, Irã, Jordânia, Catar, Arábia Saudita, Colômbia, Marrocos, Argélia, República Democrática do Congo, Iraque e Coreia do Sul.
A inclusão desses países não significa que todos vivam o mesmo tipo de conflito ou apresentem o mesmo grau de instabilidade. A lista reúne desde potências envolvidas em tensões militares externas até nações afetadas por grupos armados, disputas territoriais ou crises prolongadas de segurança.
O caso do Oriente Médio
O Oriente Médio concentra parte importante das tensões associadas ao torneio. Estados Unidos e Irã, ambos classificados para a Copa, estão envolvidos em uma escalada militar que teve novos desdobramentos em 2026. O conflito passou por tentativas de cessar-fogo, mas episódios recentes mostram que a situação permanece instável.
Além dos dois países, Iraque, Jordânia, Catar e Arábia Saudita também aparecem no levantamento por causa de sua posição estratégica na região e da presença de instalações, interesses militares ou impactos indiretos das tensões entre Washington e Teerã.
A participação do Irã no Mundial chegou a gerar discussões políticas antes do início da competição. Mesmo assim, a Fifa manteve a seleção no torneio. O caso reacendeu o debate sobre os critérios usados por entidades esportivas diante de países envolvidos em conflitos.
O precedente mais lembrado é o da Rússia, suspensa pela Fifa e pela Uefa em 2022 após a invasão da Ucrânia. Desde então, a relação entre futebol, guerra e sanções esportivas passou a ser observada com maior atenção.

México enfrenta violência ligada ao crime organizado
País-sede da Copa de 2026, o México convive há anos com a violência associada ao crime organizado. A atuação de cartéis de drogas, disputas territoriais e confrontos com forças de segurança criaram um quadro persistente de insegurança em várias regiões do país.
Embora o conflito mexicano não seja uma guerra convencional entre Estados, sua intensidade e seus impactos sociais fazem com que especialistas o classifiquem como uma crise armada interna. A violência afeta comunidades, cidades e rotas estratégicas, além de representar um desafio permanente para as autoridades.
O cenário também tem peso simbólico por ocorrer em um dos países anfitriões do Mundial. A realização de jogos em território mexicano amplia a atenção internacional sobre segurança, mobilidade e organização durante o torneio.
Haiti vive grave crise de segurança
O Haiti aparece entre os casos mais graves de violência interna. Facções armadas controlam áreas importantes de Porto Príncipe e de regiões próximas, dificultando o funcionamento de serviços públicos, o acesso humanitário e a circulação da população.
A crise haitiana é marcada por assassinatos, sequestros, deslocamento forçado e fragilidade institucional. Organismos internacionais apontam que mais de um milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas nos últimos anos devido à violência.
A classificação do Haiti para a Copa ocorre em meio a esse contexto. Para o país, a presença no torneio tem relevância esportiva e simbólica, mas também expõe ao mundo a dimensão de uma crise humanitária e de segurança que permanece sem solução.
Colômbia mantém conflitos com grupos armados
A Colômbia também integra o levantamento por causa da presença de grupos armados, guerrilhas, dissidências e organizações ligadas ao narcotráfico. Apesar dos avanços obtidos após acordos de paz anteriores, a violência não desapareceu completamente do território colombiano.
Regiões do país ainda enfrentam disputas por controle territorial, rotas ilegais e influência política local. O Exército de Libertação Nacional, conhecido como ELN, e facções dissidentes seguem envolvidos em confrontos e negociações intermitentes com o governo.
O caso colombiano mostra como conflitos internos podem persistir mesmo depois de processos formais de paz. A participação na Copa ocorre enquanto o país tenta equilibrar segurança, diálogo político e combate ao crime organizado.

República Democrática do Congo enfrenta conflito prolongado
A República Democrática do Congo convive com um dos conflitos mais longos e complexos do continente africano. A violência se concentra principalmente no leste do país, onde forças governamentais enfrentam grupos rebeldes, entre eles o M23.
A disputa envolve questões étnicas, controle territorial, minerais valiosos e acusações de apoio externo a grupos armados. A ONU já apontou a participação de Ruanda no apoio ao M23, acusação negada pelo governo ruandês.
A nova onda de violência no leste congolês ampliou deslocamentos internos e agravou a crise humanitária. A presença da seleção congolesa na Copa chama atenção para um conflito muitas vezes tratado como distante da agenda internacional, apesar de seus impactos prolongados sobre milhões de pessoas.
Coreia do Sul vive tensão histórica com o Norte
A Coreia do Sul aparece no levantamento por causa da situação ainda não resolvida na Península Coreana. O país segue tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte, já que o conflito iniciado em 1950 foi encerrado por um armistício em 1953, e não por um tratado de paz definitivo.
Desde então, a fronteira entre os dois países permanece fortemente militarizada. Períodos de diálogo alternam-se com novas tensões, testes militares e disputas diplomáticas.
Embora a Coreia do Sul seja uma democracia desenvolvida e economicamente estável, sua inclusão no levantamento se explica pela permanência formal e estratégica do conflito com o regime norte-coreano.
Marrocos, Argélia e a questão do Saara Ocidental
Marrocos e Argélia estão ligados ao impasse do Saara Ocidental, território reivindicado pela Frente Polisário, movimento que defende sua independência. Grande parte da área está sob controle marroquino.
A ONU mediou um cessar-fogo em 1991, mas o processo político nunca resultou em solução definitiva. Em 2020, a trégua foi rompida, e as hostilidades foram retomadas em baixa intensidade.
A Argélia não controla o território, mas apoia historicamente a Frente Polisário. Por isso, aparece associada ao conflito em análises regionais. O impasse segue sendo uma das disputas territoriais mais duradouras do norte da África.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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