Plantio da cevada já alcança 44% da área prevista no Paraná, que deve ter área recorde em 2026 e produção superior a 550 mil toneladas, segundo o Deral.
O Paraná deve alcançar uma safra recorde de cevada em 2026, com produção estimada acima de 550 mil toneladas. A projeção consta no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, divulgado nesta quinta-feira, 11 de junho.
Segundo o levantamento, o plantio da cevada já atingiu 44% da área estimada para o ciclo. O avanço foi favorecido pelas condições climáticas mais estáveis e pela umidade adequada do solo, após um período de chuvas em maio.
A área prevista para a cultura em 2026 é de 126 mil hectares, o maior patamar da série. A extensão representa crescimento de 21% em relação aos 104 mil hectares colhidos em 2025. Com esse aumento, a estimativa de produção segue superior a 550 mil toneladas, conforme os dados apurados em maio.
O Paraná é o principal produtor de cevada do país. O Rio Grande do Sul aparece na segunda posição, com estimativa de aproximadamente 100,4 mil toneladas. No cenário nacional, a produção brasileira deve chegar a 678,7 mil toneladas, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, volume 7,2% maior que o registrado em 2025.
Apesar do bom desempenho inicial, o Deral aponta que o clima ainda exige acompanhamento nos próximos meses. A possibilidade de maior incidência de chuvas na primavera, associada ao fenômeno El Niño, pode afetar a qualidade dos grãos durante a colheita.
O engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho, afirmou que o plantio avançou de forma positiva após a melhora nas condições do tempo.
“O plantio de cevada evoluiu bem nessa semana em função de que nós tivemos um tempo mais seco, diferente de maio, quando tivemos muitas chuvas. O lado positivo é que essas chuvas de maio também foram importantes para o plantio, visto que elas disponibilizaram umidade no solo para que os trabalhos acontecessem de forma plena”, afirmou Godinho.
O boletim também atualiza informações sobre a segunda safra de milho 2025/26 no Paraná. A estimativa de produção é de 17,5 milhões de toneladas. A colheita ainda ocorre de forma pontual e foi iniciada recentemente na região Oeste, principal produtora em volume no Estado. Até o momento, cerca de 14 mil hectares foram colhidos, o que representa menos de 1% da área total cultivada.
De acordo com o analista do Deral, Edmar Gervasio, parte das lavouras já se encontra em estágio final de desenvolvimento, mas a maior parcela ainda depende de atenção em razão das condições térmicas.
“Dos 2,9 milhões de hectares plantados, 24% já se encontram na fase final de desenvolvimento e apresentam risco praticamente nulo de geadas, enquanto os 76% restantes ainda demandam atenção às variações térmicas”, explicou Gervasio.
Na cadeia de perus, o boletim aponta que o Paraná destina quase metade da produção ao mercado externo e mantém participação relevante nas exportações nacionais de cortes e industrializados. Em 2025, o Estado ampliou sua presença nas vendas externas da proteína, passando de 21,30% em 2024, com 8.692 toneladas, para 22,61% em 2025, com 14.875 toneladas.
As exportações brasileiras de carne de peru alcançaram 88 mercados em 2025. Os principais destinos foram países das Américas, responsáveis por 63,05% dos embarques, e da África, com 31,15%.
O boletim também registra queda nos preços do brócolis no atacado, em razão do aumento sazonal da oferta. A região de Curitiba, principal polo produtor do Paraná, responde por 75,6% das colheitas estaduais. Na segunda semana de junho, o preço mais comum praticado no entreposto de Curitiba foi de R$ 8,33 por quilo, valor 28,6% inferior ao registrado no mesmo período do mês anterior.
No setor de lácteos, a balança comercial do Paraná encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo positivo em volume. Foram exportadas 4,3 mil toneladas, enquanto as importações somaram 3,1 mil toneladas. Em valor, porém, o resultado foi deficitário. O Estado obteve US$ 8,1 milhões com exportações e desembolsou US$ 11,4 milhões com importações.
Segundo a análise do boletim, a diferença ocorre porque a pauta exportadora paranaense está concentrada em produtos de menor valor agregado, como manteiga, enquanto o mercado interno demanda a importação de itens mais caros, como queijos.
Os dados indicam desempenho positivo em segmentos importantes do agronegócio paranaense, com destaque para a expansão da cevada e a manutenção de boas perspectivas para o milho. Ao mesmo tempo, o boletim aponta fatores de atenção para os próximos meses, especialmente em relação ao clima e aos efeitos sobre a qualidade das lavouras.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
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