Preço do petróleo voltou a subir em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã, após dois meses de cessar-fogo, aumentando a tensão no Oriente Médio e no mercado global de energia.
O preço do petróleo voltou a subir nesta quarta-feira, 10 de junho, em meio à retomada da troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, após um cessar-fogo que havia durado cerca de dois meses. A nova escalada no Oriente Médio aumentou a volatilidade no mercado internacional de energia e pressionou as cotações ao longo do dia.
O barril Brent, principal referência global do petróleo, iniciou a sessão em alta, chegou a recuar e atingiu US$ 90,78 por volta das 5h45, no horário de Brasília, queda de 0,73%. No decorrer do dia, porém, a cotação voltou a subir e alcançou US$ 94,59, equivalente a R$ 489,20, por volta das 14h45, alta de 3,43% no maior patamar registrado durante a sessão.
O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também operava em alta. A cotação avançava 2,04%, negociada a US$ 90, ou R$ 465,46, em meio ao aumento das incertezas sobre a segurança no fornecimento de energia e os riscos de ampliação do conflito.
A valorização ganhou força após a divulgação de ataques do Irã contra bases utilizadas por forças norte-americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein. O governo iraniano afirmou que a ofensiva foi uma resposta a ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz.
Essa foi a primeira ação do tipo desde 8 de abril, quando havia sido anunciado um cessar-fogo entre as partes. A trégua vinha se mostrando mais frágil nos últimos dias, após bombardeios de Israel contra o território iraniano na segunda-feira, 8 de junho, seguidos de reação do Irã. No mesmo dia, os dois países chegaram a anunciar uma interrupção das ofensivas, mas os ataques voltaram a ocorrer nesta quarta-feira.
A nova troca de ataques ocorreu depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o Irã havia derrubado um helicóptero Apache norte-americano perto do Estreito de Ormuz na terça-feira, 9 de junho. Segundo autoridades dos Estados Unidos, os dois tripulantes foram resgatados.
Após os ataques, Trump declarou que o Irã havia demorado demais para negociar um acordo e que agora teria de arcar com as consequências. A declaração foi publicada em uma rede social na manhã de quarta-feira.
“O Irã é só conversa e nenhuma ação”, afirmou Trump. “Eles demoraram demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles, agora terão que pagar o preço!!!”
As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que realizaram ataques contra defesas aéreas iranianas, estações de controle terrestre e instalações de radar de vigilância. Segundo a versão norte-americana, a ação foi uma resposta proporcional ao episódio envolvendo o helicóptero.
O Irã, por sua vez, indicou que poderá rever o diálogo diplomático com Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que sucessivas violações do cessar-fogo comprometem as condições mínimas para uma negociação.
“Qualquer processo diplomático requer um ambiente mínimo de estabilidade”, declarou Baghaei.
Países vizinhos do Irã no Golfo e a Jordânia acionaram sistemas de defesa aérea para interceptar mísseis. Até a divulgação das informações, não havia relatos imediatos de danos às bases norte-americanas atingidas ou ameaçadas pelos ataques.
Apesar da escalada militar, ainda havia sinais de continuidade dos esforços diplomáticos. Uma autoridade com conhecimento das negociações informou à Reuters que representantes do Qatar viajaram a Teerã nesta quarta-feira, após consultas com os Estados Unidos, em uma tentativa de avançar nas tratativas para um acordo. Não houve manifestação imediata de Washington ou de Teerã sobre essa iniciativa.
A região do Estreito de Ormuz é considerada estratégica para o mercado global de petróleo, por ser uma das principais rotas de transporte marítimo de energia no mundo. Por isso, qualquer risco de bloqueio, ataque a embarcações ou ampliação do conflito tende a afetar diretamente as cotações internacionais.
A movimentação desta quarta-feira reforçou a percepção de instabilidade entre investidores. Mesmo com oscilações ao longo do dia, o mercado passou a precificar maior risco geopolítico diante da possibilidade de novas ações militares e de impactos sobre o fornecimento de petróleo.
A tensão ocorre em um momento de atenção elevada para os preços globais de energia. A continuidade dos ataques, a resposta dos países envolvidos e o andamento das negociações diplomáticas devem seguir influenciando o comportamento do petróleo nos próximos dias.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
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