Petróleo cai quase 5% e volta a operar abaixo de US$ 90 após um mês e meio

Petróleo cai quase 5% e volta a operar abaixo de US$ 90 após um mês e meio

Barril Brent chegou ao menor valor desde abril após recuo nas tensões entre Israel e Irã, mas voltou a ficar acima de US$ 90 durante a tarde.

O preço do petróleo voltou a operar abaixo de US$ 90 nesta terça-feira (9), após cerca de um mês e meio acima desse patamar. O barril Brent, referência internacional, chegou a cair 4,92% e foi negociado a US$ 89,61, o equivalente a R$ 462,21, por volta das 13h, no horário de Brasília.

A cotação foi a menor desde 21 de abril, quando o barril havia sido negociado a US$ 89,12. Durante a tarde, o preço recuperou parte das perdas. Às 14h50, o Brent voltou a ficar acima de US$ 90 e era negociado a US$ 91,62, ou R$ 472,58, com queda de 2,63% no contrato para agosto.

O petróleo WTI, referência no mercado dos Estados Unidos, também registrou desvalorização. O barril chegou a cair para US$ 86 e, às 14h50, era negociado a US$ 88,21, com recuo de 3,38%.

A queda foi influenciada pela interrupção dos ataques entre Israel e Irã, anunciada na segunda-feira (8), poucas horas depois de novos bombardeios envolvendo os dois países. A escalada da tensão havia levado o petróleo a subir mais de 5% durante o dia anterior, mas a retomada do cessar-fogo reduziu a pressão sobre os preços.

Mesmo com a divulgação de ataques de Israel ao Líbano, aliado do Irã, o mercado manteve o movimento de recuo nas cotações. Nesta terça-feira, foram registrados novos bombardeios no sul do território libanês. Autoridades iranianas afirmaram que podem retomar ataques contra Israel caso a trégua não seja respeitada em relação ao aliado.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Guterres, voltou a pedir a interrupção imediata dos ataques. Em publicação na rede social X, antigo Twitter, ele afirmou que todas as ofensivas precisam cessar e que o cessar-fogo deve ser respeitado no Líbano, no Irã e em Gaza.

O cenário no Oriente Médio segue no centro das atenções do mercado internacional de energia, especialmente pelo risco de impactos sobre rotas estratégicas de transporte de petróleo e gás. Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que dois tripulantes de um helicóptero norte-americano estavam bem após a queda da aeronave no estreito de Hormuz.

O estreito é uma das principais passagens marítimas do comércio global de energia, por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Ainda não havia confirmação se o helicóptero foi atingido por algum ataque aéreo ou se sofreu uma falha técnica. Questionado sobre a causa da queda, Trump disse que um relatório seria divulgado ainda na terça-feira. “Os pilotos estão bem”, afirmou.

O presidente norte-americano também declarou a jornalistas que poderia apresentar uma ideia para um acordo com o Irã nos próximos dias, mas não deu detalhes. Segundo Trump, qualquer acordo de paz deve impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear.

Entre as exigências atribuídas ao governo iraniano estão o levantamento de sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de seu controle sobre o estreito de Hormuz. A ausência de um entendimento concreto mantém o mercado atento à evolução das negociações e aos desdobramentos militares na região.

A oscilação dos preços nesta terça-feira refletiu a combinação entre alívio temporário nas tensões geopolíticas e incertezas sobre a estabilidade do cessar-fogo. Analistas acompanham os próximos movimentos diplomáticos e militares, uma vez que qualquer novo agravamento no Oriente Médio pode voltar a pressionar o preço internacional do petróleo.

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