Pai de Henry Borel pede anulação de júri que beneficiou Monique Medeiros

Pai de Henry Borel pede anulação de júri que beneficiou Monique Medeiros

Leniel Borel, pai de Henry Borel, apresentou recurso à Justiça para pedir a anulação do júri popular que resultou no perdão judicial concedido a Monique Medeiros. A medida questiona a condução do julgamento e aponta supostas contradições nas respostas dadas pelos jurados durante a votação dos quesitos.

Leniel atua como assistente de acusação no processo e sustenta que houve inconsistências na formulação e na sequência das perguntas submetidas ao Conselho de Sentença. A defesa dele afirma que as respostas dos jurados não foram compatíveis entre si e que o resultado final teria produzido uma decisão contraditória.

De acordo com o recurso apresentado pela assistência de acusação, os jurados reconheceram, em um primeiro momento, a materialidade do crime e a autoria atribuída a Monique Medeiros. Também rejeitaram a tese de absolvição apresentada pela defesa da ré. No entanto, em etapas posteriores da votação, responderam a quesitos que levaram à desclassificação da acusação de homicídio doloso para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Para o advogado Cristiano Medina, que representa Leniel Borel, essa sequência teria gerado incompatibilidade interna no veredito. A avaliação da assistência de acusação é de que a decisão final não correspondeu às respostas iniciais dadas pelos jurados, razão pela qual o julgamento deve ser anulado.

A desclassificação da acusação de homicídio doloso para homicídio culposo permitiu que a juíza Elizabeth Louro concedesse perdão judicial a Monique Medeiros. Ela foi condenada apenas por omissão no crime de tortura contra o filho, com pena de um ano e quatro meses de prisão. Como já havia permanecido presa preventivamente por período equivalente, Monique foi colocada em liberdade.

O Ministério Público do Rio de Janeiro também recorreu da decisão relacionada a Monique Medeiros. Para o promotor Fábio Vieira, os jurados reconheceram inicialmente a responsabilidade da ré pela morte dolosa de Henry, o que, segundo o órgão, deveria levar à condenação por homicídio doloso.

O Ministério Público sustenta que o resultado final do julgamento não refletiu adequadamente as respostas dadas pelo Conselho de Sentença. O recurso busca reavaliar a decisão e questiona os efeitos jurídicos da desclassificação aplicada durante o julgamento.

No mesmo júri, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi considerado culpado pela morte de Henry Borel. Ele foi condenado a quase 44 anos de prisão. A defesa dele também informou que pretende recorrer da sentença, alegando parcialidade da magistrada responsável pelo caso.

Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos, no Rio de Janeiro. O caso teve grande repercussão nacional e continua em discussão judicial após os recursos apresentados pelas partes envolvidas no processo.

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