Esmeraldas colombianas achadas em sepulturas no Panamá revelam antigas rotas de troca

Esmeraldas colombianas achadas em sepulturas no Panamá revelam antigas rotas de troca

Pesquisadores identificaram a origem colombiana de cinco pedras verdes encontradas em sepulturas antigas na costa do Pacífico do Panamá. As peças, recuperadas em túmulos de elite nos sítios arqueológicos de El Caño e Sitio Conte, na região de Gran Coclé, foram confirmadas como esmeraldas extraídas da Colômbia há mais de mil anos.

As sepulturas analisadas são datadas de aproximadamente 800 a 1000 d.C. e pertenciam a grupos de alto status social. Além das esmeraldas, os túmulos continham objetos de grande valor simbólico, como peças de ouro, espelhos de pirita e dentes fossilizados de megalodonte, elementos associados ao prestígio e à organização social das antigas comunidades Coclé.

Para confirmar a origem das pedras, os pesquisadores utilizaram técnicas como fluorescência de raios X, espectroscopia infravermelha e fotoluminescência. A composição química das esmeraldas encontradas no Panamá foi comparada com amostras provenientes da Colômbia e do Equador. Os resultados indicaram semelhança com pedras extraídas dos cinturões de esmeraldas da Colômbia.

Esmeraldas colombianas achadas em sepulturas no Panamá revelam antigas rotas de troca
Foto: Cortesia de Carlos Mayo Torné

A descoberta sugere que as esmeraldas percorreram cerca de 700 quilômetros até chegar ao Panamá. Segundo os pesquisadores, isso não significa necessariamente uma troca direta entre os povos das regiões mineradoras colombianas e os cacicados Coclé. A hipótese mais provável é que as pedras tenham circulado por meio de sucessivas trocas entre comunidades costeiras e ribeirinhas.

Parte das esmeraldas já teria chegado ao Panamá lapidada e pronta para uso. Outras, porém, passaram por cortes, perfurações e reparos feitos por artesãos locais. Esse reaproveitamento indica que as pedras eram objetos raros e altamente valorizados, não apenas por sua beleza, mas também pelo significado social e ritual que possuíam.

Para Carlos Mayo Torné, da Fundación El Caño, os reparos e retrabalhos observados nas peças demonstram a importância das esmeraldas para as sociedades Coclé.

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