Estado registra queda de 38,7% no tabagismo entre adultos, enquanto cresce a preocupação com o avanço dos cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens.
Santa Catarina registrou redução de 38,7% no número de fumantes adultos no último ano, acompanhando a tendência nacional de queda do consumo de cigarros convencionais. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), que atribui o resultado à ampliação das ações de prevenção, conscientização e oferta de tratamento para pessoas que desejam abandonar o hábito de fumar.
O balanço foi apresentado às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. Neste ano, a campanha tem como tema “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco” e destaca os desafios relacionados ao consumo de produtos derivados do tabaco, especialmente entre os mais jovens.
Segundo a Secretaria da Saúde, mais de 21 mil pessoas procuraram atendimento para cessação do tabagismo em Santa Catarina ao longo de 2025. Desse total, 17.796 iniciaram tratamento e 7.523 conseguiram interromper o uso do cigarro.
No ano anterior, 14,4 mil pessoas buscaram assistência para abandonar o tabagismo. Destas, cerca de 7,6 mil aderiram ao tratamento e 5,4 mil alcançaram a abstinência.
Os dados apontam que a procura pelos serviços de apoio foi maior entre as mulheres, que somaram 11.002 atendimentos. Entre os homens, foram registrados 10.186 atendimentos. A faixa etária com maior número de usuários em busca de auxílio está entre 18 e 60 anos, concentrando 16.163 pessoas.
A coordenadora estadual do Programa de Controle do Tabagismo, Adriana Elias, orienta que os interessados em abandonar o cigarro procurem a rede pública de saúde. Segundo ela, “quem deseja parar de fumar deve procurar a Secretaria de Saúde do seu município e se informar sobre a unidade que oferece o Programa de Controle do Tabagismo pelo SUS”.
Apesar dos resultados positivos relacionados à redução do consumo de cigarros tradicionais, profissionais da área da saúde demonstram preocupação com o aumento da utilização de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens.
Levantamento realizado pelo projeto de extensão multidisciplinar ERGOTOX, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em cinco escolas públicas de Florianópolis, revelou que 27,4% dos estudantes entrevistados já experimentaram cigarros eletrônicos. O índice chama atenção porque o percentual de alunos que relataram uso de cigarros convencionais foi inferior ao registrado para os dispositivos eletrônicos.
Os dados indicam que uma parcela dos jovens está iniciando o contato com produtos à base de nicotina diretamente pelos chamados vapes, sem histórico prévio de consumo de cigarros tradicionais.
De acordo com os pesquisadores, fatores como curiosidade, variedade de sabores e influência de grupos sociais estão entre os principais elementos associados à experimentação dos dispositivos eletrônicos.
A Secretaria da Saúde destaca ainda que estudos científicos identificaram milhares de substâncias químicas presentes nesses produtos. Em apreensões realizadas em Santa Catarina, análises também apontaram a presença de anfetamina em alguns dispositivos.
Ao comentar os riscos associados ao consumo de nicotina, Adriana Elias alertou para os impactos do tabagismo sobre a saúde. Segundo ela, “o tabagismo segue como importante fator de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer. Com o avanço dos cigarros eletrônicos, reforçar ações de prevenção e conscientização é ainda mais urgente”.
As ações de prevenção desenvolvidas em escolas catarinenses já identificaram adolescentes que apresentam sinais de dependência e interesse em interromper o uso dos dispositivos eletrônicos. As atividades incluem orientações sobre os riscos à saúde, campanhas educativas e encaminhamento para tratamento quando necessário.
Atualmente, aproximadamente 84% dos municípios catarinenses disponibilizam grupos de apoio e atendimento individualizado para fumantes nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Casos associados a transtornos como ansiedade e depressão podem ser acompanhados pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), enquanto hospitais participantes do programa oferecem assistência especializada.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que continuará investindo no fortalecimento do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, com ações voltadas à prevenção, capacitação das equipes da Atenção Primária e ampliação das estratégias direcionadas especialmente ao público adolescente e jovem.
A orientação para quem deseja obter informações sobre tratamento e apoio para cessação do tabagismo é procurar a Secretaria Municipal de Saúde ou a unidade básica de referência do município.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
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