A elefanta asiática Happy, que viveu por quase cinco décadas no Zoológico do Bronx, em Nova York, foi submetida à eutanásia aos 55 anos. O anúncio foi feito pela administração do zoológico nesta quarta-feira (27).
Conhecida internacionalmente por participar de pesquisas sobre comportamento animal e por ter sido o centro de uma disputa judicial envolvendo direitos dos animais em cativeiro, Happy vivia na instituição desde 1977.
Segundo o zoológico, a decisão foi tomada após agravamento de problemas de saúde relacionados à idade. Nas últimas semanas, a elefanta apresentou sinais de perda das funções renal ou hepática.
Uma necropsia identificou artrite e grandes tumores uterinos considerados inoperáveis. De acordo com a instituição, essas condições não poderiam ser diagnosticadas previamente por meio de exames ou imagens em elefantes.
Ao comentar a morte do animal, o diretor interino do Zoológico do Bronx, Craig Piper, afirmou que a equipe foi impactada pela perda.
Segundo Craig Piper, “ela era uma elefanta maravilhosa”.
O diretor também destacou a importância de Happy para programas de conservação.
De acordo com Craig Piper, “ela foi uma enorme embaixadora dos elefantes e da conservação da espécie”.
Com a morte de Happy, Patty, de 57 anos, passa a ser a única elefanta mantida no zoológico. A instituição responsável pelo local, a Wildlife Conservation Society, deixou de adquirir elefantes há cerca de duas décadas.
Nascida na Ásia, Happy foi levada aos Estados Unidos ainda filhote. Seu nome foi inspirado em um dos personagens da história da Branca de Neve antes de sua chegada ao zoológico.
Segundo Keith Lovett, diretor de programas animais da instituição, a elefanta mantinha forte interação com seus tratadores e costumava demonstrar preferência por alimentos como melancia e morango.
Happy ganhou destaque na comunidade científica em 2005, quando participou de um estudo que demonstrou a capacidade de elefantes reconhecerem a própria imagem em um espelho. Durante o experimento, ela utilizou a tromba para tocar uma marca pintada acima de seu olho, visível apenas por meio do reflexo.
Ao longo dos anos, a elefanta viveu com outros animais da mesma espécie. Após a morte de sua última companheira, em 2006, passou a permanecer separada de outras elefantas por questões de manejo, embora pudesse manter contato visual, olfativo e físico através de divisórias.
Durante sua vida, o debate sobre a permanência de elefantes em zoológicos ganhou força nos Estados Unidos. Especialistas e ativistas passaram a questionar se ambientes urbanos oferecem condições adequadas para animais de grande porte e comportamento social complexo.
Em 2018, a organização Nonhuman Rights Project ingressou com uma ação judicial buscando o reconhecimento de Happy como “pessoa” para fins legais e sua transferência para um santuário animal.
A entidade argumentava que a elefanta possuía elevado grau de cognição e autonomia e que sua permanência em cativeiro representava privação indevida de liberdade.
Por outro lado, os responsáveis pelo zoológico sustentaram que Happy recebia cuidados especializados e possuía condições para exercer comportamentos naturais, afirmando que uma transferência poderia trazer prejuízos ao animal.
O caso foi analisado pela mais alta corte do estado de Nova York, que rejeitou o pedido por cinco votos a dois. Posteriormente, uma decisão semelhante foi adotada pela Suprema Corte do Colorado em um processo envolvendo elefantes de outro zoológico.
Apesar da derrota judicial, o debate sobre os direitos legais de animais não humanos continuou em diferentes estados norte-americanos.
Após a morte da elefanta, o diretor-executivo do Nonhuman Rights Project, Christopher Berry, destacou a relevância do caso para as discussões jurídicas envolvendo animais.
Segundo Christopher Berry, Happy “sempre será lembrada como a elefanta que abriu as portas dos tribunais para a discussão sobre os direitos legais de animais não humanos”.
De acordo com Craig Piper, Happy passou as últimas semanas em uma área reservada do zoológico, onde recebeu cuidados voltados ao controle da dor, hidratação e alimentação.
A Wildlife Conservation Society informou que avaliará cuidadosamente o futuro de Patty, a única elefanta restante na instituição. Segundo Craig Piper, qualquer decisão sobre uma eventual transferência será tomada com cautela e considerando as condições mais adequadas para o animal.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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