Paraná mantém destaque nacional em doação e transplante de órgãos, aponta relatório da ABTO

Paraná mantém destaque nacional em doação e transplante de órgãos, aponta relatório da ABTO

Relatório nacional confirma Paraná entre os estados com maiores taxas de doadores de órgãos do país e menor índice de recusa familiar para doações.

O Paraná voltou a figurar entre os estados de maior destaque nacional em doação e transplante de órgãos, conforme dados de 2025 do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Segundo o relatório, o Estado registrou taxa de 38,9 doadores por milhão de população, o segundo melhor índice do país. A média nacional foi de 20,3 doadores por milhão de habitantes. O Paraná também apresentou um dos menores índices de recusa familiar para doação de órgãos, com percentual de 33%, abaixo da média nacional de 45%.

Os dados apontam que, em 2025, foram realizados 2.255 transplantes de órgãos e tecidos no Paraná. Entre os procedimentos registrados estão 460 transplantes de rim, 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula óssea.

O secretário estadual da Saúde, César Neves, afirmou que os resultados refletem investimentos realizados na estrutura do sistema estadual de transplantes. “Esses resultados representam o esforço e investimento do Estado para oportunizar capacitação profissional e ofertar uma estrutura robusta e consolidada de atendimento, que garante qualidade e agilidade no cuidado para doadores e receptores”, declarou.

O secretário também destacou a importância da conscientização sobre a doação de órgãos. “Transplantes de órgãos salvam vidas. Essa é uma informação importante e que merece sempre ser relembrada e destacada. E o Governo do Estado trabalha incansavelmente, investindo em capacitação profissional, estrutura e logística, visando o fortalecimento dos trabalhos para propiciar que, cada vez mais, vidas sejam salvas”, afirmou.

Dados do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná (SET/PR) indicam que, entre janeiro e abril de 2026, já foram realizados 225 transplantes de órgãos sólidos, incluindo coração, fígado, rim e pâncreas. No mesmo período, ocorreram 328 transplantes de córneas.

A coordenadora do SET/PR, Juliana Ribeiro Giugni, afirmou que os resultados são consequência do trabalho integrado entre hospitais, organizações de procura de órgãos, laboratórios, bancos de tecidos e equipes transplantadoras. “É um trabalho muito consistente que envolve a dedicação de profissionais, e uma série de medidas, como a capacitação contínua desses trabalhadores e a manutenção de investimentos voltados à melhoria da estrutura e ao fortalecimento dos processos de trabalho”, explicou.

Segundo ela, a ampliação dos transplantes depende também da conscientização da população sobre a importância da doação. “O aumento dos transplantes depende do fortalecimento da cultura de doação na sociedade, do esclarecimento sobre mitos relacionados ao processo, da redução da recusa familiar e da manutenção de um processo de trabalho estruturado e eficiente”, afirmou.

O relatório também destaca o desempenho do Paraná nos transplantes pediátricos. Em 2025, o Brasil realizou 60 transplantes cardíacos infantis, sendo 12 deles no Paraná. No caso dos transplantes hepáticos pediátricos, foram registrados 211 procedimentos no país, dos quais 27 ocorreram no Estado, sendo 15 com doadores vivos e 12 com doadores falecidos.

Grande parte desses procedimentos foi realizada pelo Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, referência nacional em transplantes pediátricos de órgãos sólidos, medula óssea, válvulas cardíacas e tecidos musculoesqueléticos.

O diretor-técnico do Hospital Pequeno Príncipe, doutor Cassio Fon Ben Sum, destacou a complexidade dos procedimentos realizados pela instituição. “Estamos falando de procedimentos de alta complexidade, voltados a crianças e adolescentes que, muitas vezes, têm no transplante a principal ou única possibilidade de tratamento. Para o Paraná, o Hospital representa uma estrutura essencial para garantir acesso a esse cuidado especializado. Para o Brasil, reforça o papel do Pequeno Príncipe como uma instituição de referência nacional em saúde pediátrica de alta complexidade”, afirmou.

Entre os casos recentes registrados pelo sistema estadual está o da bebê Isabela Antônia Silva de Paula, que recebeu um transplante cardíaco aos oito meses de idade. Diagnosticada ainda durante a gestação com uma condição cardíaca grave, a criança entrou na fila de transplantes em janeiro de 2026 e recebeu um coração compatível em abril.

A mãe da criança, Karolyne Antônia Silva de Paula, relatou a importância da decisão da família doadora. “Uma família teve empatia e amor ao próximo, disse ‘sim’ para a vida da minha filha”, afirmou.

Após a cirurgia, a mãe relatou mudanças no quadro clínico da bebê. “Ver ela alegre, disposta e brincando não tem preço. Estou muito feliz de ver ela perdendo as roupinhas porque está engordando”, declarou.

A estrutura logística também é apontada como um dos fatores para os resultados obtidos pelo Paraná. O governo estadual mantém transporte terrestre e aéreo para captação e deslocamento de órgãos. Em 2025, aeronaves da Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar realizaram 126 missões relacionadas a transplantes, totalizando 367 horas de voo. Em 2026, até o momento, já foram registradas 47 missões e 137 horas de voo.

Atualmente, o Sistema Estadual de Transplantes do Paraná conta com 108 hospitais notificantes autorizados pelo Ministério da Saúde, 71 comissões hospitalares responsáveis pela organização dos processos de doação, 37 equipes transplantadoras de órgãos e 84 equipes voltadas a transplantes de tecidos.

A rede estadual também possui cinco laboratórios de histocompatibilidade, três laboratórios de sorologia e três bancos de tecidos, incluindo um banco de multitecidos. Aproximadamente 700 profissionais especializados atuam diretamente no sistema estadual de transplantes.

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