A morte do influenciador fitness e fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, repercutiu no meio esportivo e nas redes sociais neste sábado (23). A causa da morte não foi oficialmente confirmada, mas informações divulgadas pelo portal Leo Dias e pelo blog Músculo, da Folha de S.Paulo, apontam que uma das hipóteses investigadas é uma crise de hipoglicemia.
Gabriel Ganley era produtor de conteúdo voltado ao universo fitness e acumulava mais de 1,6 milhão de seguidores nas redes sociais.
A hipoglicemia acontece quando os níveis de glicose no sangue ficam abaixo de 70 miligramas por decilitro. O quadro é considerado grave quando os índices caem para menos de 54 mg/dL.
A glicose é responsável por fornecer energia ao organismo e tem papel fundamental no funcionamento cerebral. Segundo o endocrinologista Bruno Geloneze, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas, a falta severa de glicose pode provocar comprometimento neurológico em poucos minutos.
Ao explicar o quadro clínico, o médico afirmou que “existe um termo para isso: neuroglicopenia. ‘Neuro’, de neurônio; ‘glicopenia’, falta de glicose. Isso pode levar rapidamente à perda de consciência, convulsão, coma e até à morte”.
De acordo com informações divulgadas sobre o caso, a suspeita de hipoglicemia estaria relacionada ao uso de hormônios para ganho de massa muscular. O próprio Gabriel Ganley havia relatado nas redes sociais que iniciou o uso dessas substâncias em junho de 2025 com o objetivo de competir na categoria Open do fisiculturismo.
Bruno Geloneze explicou que a insulina possui função anabólica e anticatabólica no organismo, favorecendo a entrada de nutrientes nas células musculares e reduzindo a quebra de proteínas.
Segundo o endocrinologista, “no chamado fisiculturismo moderno, muitas vezes existe uso ilícito de insulina”. O especialista acrescentou que, em alguns casos, a substância é associada ao uso de esteroides anabolizantes e hormônios do crescimento.
O médico explicou que uma crise hipoglicêmica pode ocorrer quando há erro no cálculo da ingestão de carboidratos associado ao uso de insulina ou ausência de monitoramento adequado da glicose.
Conforme Geloneze, episódios graves de hipoglicemia são considerados raros em pessoas que não têm diabetes e não utilizam insulina.
Ao comentar os mecanismos naturais do organismo, o especialista afirmou que “isso não acontece simplesmente porque alguém treinou demais ou fez uma dieta restritiva”. Segundo ele, quando a glicose começa a cair, o corpo reduz naturalmente a produção de insulina e passa a liberar glicose armazenada no fígado.
O endocrinologista explicou que exercícios físicos intensos, associados à alimentação inadequada, podem provocar hipoglicemia leve, especialmente em pessoas com elevada massa muscular.
Nesses casos, os sintomas mais comuns incluem tontura, suor excessivo, mal-estar, fraqueza e fome. Já nos quadros agudos, podem ocorrer confusão mental, perda da coordenação motora, convulsões e perda de consciência.
Segundo Bruno Geloneze, quando a crise não é revertida rapidamente, o quadro pode evoluir para coma e parada cardíaca. O médico destacou que “é justamente isso que torna qualquer tentativa de resgate extremamente difícil”.
O especialista também alertou sobre os riscos do uso irregular de insulina por pessoas não diabéticas. Conforme explicou, além da hipoglicemia, a prática pode aumentar o risco de arritmias cardíacas e favorecer o desenvolvimento de resistência à insulina, condição associada ao diabetes.
Durante a entrevista, Bruno Geloneze criticou a disseminação de informações sem respaldo científico no meio fitness e nas redes sociais.
Segundo ele, “há fóruns online, redes sociais, influenciadores, que dão inclusive protocolos de orientação não regulamentada: tabela de insulina, tabela de equivalência, quanto que deve usar de carboidrato, técnicas de aplicação. Isso é um completo absurdo da chamada ‘bro science’, a ‘ciência de brother para brother’”.
Ao finalizar, o endocrinologista afirmou que a circulação desse tipo de conteúdo aumenta os riscos relacionados ao uso inadequado da substância.
“Isso faz com que a fronteira entre o uso seguro e o uso perigoso e letal seja muito tênue, especificamente, para o uso da insulina”, ressaltou Geloneze.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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