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Cuba enfrenta apagões de até 22 horas por dia e governo aponta embargo dos EUA como causa da crise

Cuba enfrenta uma nova escalada na crise energética, com registros de interrupções no fornecimento de energia que chegam a até 22 horas por dia em algumas áreas da capital, Havana. O governo cubano atribuiu a situação ao endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, especialmente no setor de petróleo, o que teria comprometido o abastecimento de combustível e ampliado as dificuldades no sistema elétrico do país.

A declaração foi feita pelo ministro de Energia e Minas de Cuba, Vicente de la O Levy, durante pronunciamento transmitido pela televisão estatal.

Ao comentar a situação energética, o ministro afirmou que o país enfrenta um cenário crítico.

“A principal causa da crise energética em Cuba é, fundamentalmente, o bloqueio energético imposto ao país”, afirmou.

Segundo o governo cubano, desde janeiro os Estados Unidos ampliaram medidas de pressão contra Havana, com novas sanções econômicas e exigências relacionadas a mudanças políticas e econômicas. Entre as medidas citadas pelas autoridades está a restrição ao fornecimento de petróleo, o que, segundo o governo da ilha, interrompeu a chegada regular de combustível importado.

Ao detalhar os impactos dessas medidas, o ministro reforçou o agravamento da situação.

“É um bloqueio energético que se soma ao embargo já existente há muitos anos e que agravou ainda mais a situação econômica e energética do país”, disse O Levy.

O ministro informou ainda que, entre janeiro e as últimas semanas, Cuba não recebeu carregamentos regulares de combustível, situação que, segundo ele, explica a intensificação dos apagões registrados em diferentes regiões do país.

De acordo com o governo cubano, a única exceção ocorreu em abril, com a chegada de um carregamento enviado pela Rússia, contendo 100 mil toneladas de petróleo bruto doadas ao país.

Ao comentar o impacto temporário da carga, O Levy relatou melhora momentânea no fornecimento.

“Houve vários dias sem interrupções no fornecimento de energia na capital”, afirmou.

Apesar disso, o ministro reconheceu que o alívio foi breve.

“Foi uma miragem temporária”, declarou.

Segundo ele, o combustível já foi totalmente utilizado no início de maio, e o sistema elétrico voltou a operar com limitações severas, dependendo de usinas termelétricas, da empresa Energás e de parques solares fotovoltaicos.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou sobre a situação por meio das redes sociais.

“Apesar das brutais medidas de estrangulamento econômico e energético decretadas pelos Estados Unidos, Cuba continua de pé e não é um Estado falido”, escreveu.

Também nesta quarta-feira, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, comentou declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre Cuba.

Ao abordar a possibilidade de uma ação militar, Rodríguez fez um alerta.

“Uma eventual ação militar norte-americana contra Cuba provocaria uma catástrofe humanitária e um banho de sangue para os dois países”, afirmou.

Segundo autoridades cubanas, a crise energética continua afetando diferentes regiões da ilha, com impactos mais severos fora de Havana, onde os cortes de energia têm sido ainda mais prolongados.

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