Mais de 150 mil mortes por covid-19 podem ter ficado fora dos registros nos EUA

Mais de 150 mil mortes por covid-19 podem ter ficado fora dos registros nos EUA

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Um estudo recente indica que o número real de mortes causadas pela covid-19 nos Estados Unidos pode ter sido significativamente maior do que o registrado oficialmente. De acordo com a pesquisa, mais de 150 mil óbitos relacionados à doença podem não ter sido contabilizados nos anos iniciais da pandemia.

Os dados oficiais apontam cerca de 840 mil mortes registradas em certidões de óbito entre 2020 e 2021. No entanto, a análise conduzida por pesquisadores, com o auxílio de inteligência artificial, sugere que uma parcela relevante desses casos ocorreu fora de ambientes hospitalares e acabou não sendo reconhecida como causada pelo coronavírus.

Os resultados foram publicados na revista científica Science Advances e reforçam estimativas anteriores que já indicavam inconsistências na contagem de vítimas durante o período mais crítico da pandemia.

Mortes fora dos hospitais ficaram fora dos registros

Segundo o estudo, aproximadamente 16% das mortes relacionadas à covid-19 podem ter sido subnotificadas. A principal razão apontada é a dificuldade de diagnóstico em casos ocorridos fora de hospitais, especialmente nos primeiros meses da pandemia.

Naquele período, o acesso a testes era limitado, principalmente em ambientes domiciliares. Muitas pessoas que adoeceram e morreram não chegaram a ser diagnosticadas oficialmente, o que dificultou a inclusão dessas mortes nos registros.

Além disso, em diversas regiões dos Estados Unidos, a investigação de óbitos é realizada por profissionais sem formação médica especializada, o que pode ter impactado a precisão na definição das causas de morte.

Mais de 150 mil mortes por covid-19 podem ter ficado fora dos registros nos EUA

Desigualdades sociais influenciaram a subnotificação

A pesquisa também aponta que os casos não registrados afetaram de forma desproporcional determinados grupos da população. Entre os mais impactados estão pessoas negras e hispânicas, além de moradores de estados do Sul e do Sudoeste do país.

Especialistas destacam que essas populações enfrentam, historicamente, maiores barreiras de acesso ao sistema de saúde, o que pode ter contribuído para a falta de diagnóstico e registro adequado das mortes.

Mesmo anos após o início da pandemia, pesquisadores alertam que essas desigualdades continuam presentes, refletindo desafios estruturais no atendimento médico.

Fatores políticos e estruturais impactaram os dados

A contagem de mortes por covid-19 nos Estados Unidos foi marcada por debates e controvérsias desde o início da pandemia. Além das dificuldades técnicas, fatores políticos e sociais também influenciaram a forma como os dados foram registrados.

Em alguns casos, familiares de vítimas teriam resistido à inclusão da covid-19 como causa da morte, o que pode ter contribuído para a subnotificação. Também houve discussões públicas sobre a precisão dos números oficiais, ampliando a complexidade do cenário.

O estudo destaca ainda que o sistema de investigação de óbitos nos EUA apresenta limitações, especialmente fora dos grandes centros urbanos, o que dificulta a obtenção de dados mais precisos.

Para chegar às estimativas, os pesquisadores utilizaram técnicas de aprendizado de máquina. O método analisou padrões em certidões de óbito de pacientes diagnosticados com covid-19 em hospitais e comparou com registros de mortes ocorridas fora desses ambientes.

Casos inicialmente atribuídos a outras causas, como pneumonia ou diabetes, foram reavaliados com base nesses padrões, permitindo identificar possíveis mortes relacionadas ao coronavírus que não haviam sido contabilizadas.

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